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Crianças com marca-passo: é uma realidade?

Inicialmente, quando pensamos em pacientes portadores de marca-passo, de modo intuitivo imaginamos que são pacientes idosos, contudo isso não corresponde à realidade! Pelo contrário, há muitos adultos jovens e crianças, incluindo recém-nascidos, que são portadores de dispositivos de estimulação cardíaca artificial, como marca-passos e cardio-desfibriladores (CDIs). O primeiro implante de marca-passo em crianças foi realizado em 1957 nos EUA e em 1966 no Brasil.

Segundo o DECA (Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial – da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular), há mais de 280.000 pessoas com marca-passos no Brasil e cerca de 50.000 novos implantes são realizados por ano.

A população pediátrica representa menos de 1% dos usuários de marcapasso e a estimulação cardíaca em crianças é um grande desafio. As crianças merecem um cuidado especial, tanto na indicação do dispositivo mais adequado para cada caso, quanto no momento do implante, além de um acompanhamento atencioso, visto que o esperado é uma longevidade grande dessas crianças, que ficarão com seus marca-passos por muitas décadas.

Em crianças, o uso de marca-passo está indicado nos casos em que a frequência cardíaca está baixa. Geralmente isso ocorre após correção cirúrgica de cardiopatias ou por bloqueios congênitos.

Os sintomas de bradicardia (frequência cardíaca baixa) em crianças são muito variáveis, podendo ser uma respiração mais rápida aos esforços, cansaço ao mamar, sonolência, irritabilidade, baixo ganho de peso ou síncope, sendo esses sintomas influenciados pela idade.

Uma consideração deve ser feita sobre a estimulação cardíaca em crianças: há poucos centros especializados em arritmias em crianças (em muitos casos, as crianças estão alocadas em centros especializados em adultos), o que está longe de ser o ideal, visto que há diferenças entre essas populações que não devem ser negligenciadas.

No momento da indicação do implante de marca-passo, sempre se deve considerar a idade da criança, a presença de cardiopatia complexa, melhor técnica cirúrgica, melhor local para o marca-passo, tipo ideal de marca-passo e sua programação, que irão permitir que a criança usufrua o máximo benefício com o menor grau possível de desconforto e limitação.

Em relação às limitações impostas às crianças com marca-passo, essa é uma pergunta muito frequente e deve ser individualizada de acordo com a doença de base e o tipo de marca-passo, devendo se ter em mente os benefícios da atividade física para essas crianças, que em muitos casos não só não são proibidas, como devem ser incentivadas.

O implante de marca-passo em crianças é um procedimento seguro, com ótimos resultados e baixo índice de complicações. Nos últimos anos, houve avanço tecnológico dos materiais utilizados (geradores e eletrodos), associados à melhora das técnicas cirúrgicas e aumento da experiência, que contribuíram para diminuição das dificuldades e complicações cirúrgicas do implante de marca-passo em crianças.

Após o implante do marcapasso, a criança deve receber o cartão do marca-passo, que tem informações importantes sobre o gerador e os eletrodos, e deve portá-lo sempre.

É imprescindível que a criança com marca-passo seja acompanhada rotineiramente por especialista em estimulação cardíaca para avaliação do seu marca-passo. Essa avaliação é feita com telemetria e analisa os eletrodos, o estado da bateria do marca-passo e a presença de arritmias, além de programar os parâmetros do marca-passo mais adequados para a idade e para o desenvolvimento da criança. As avaliações são inicialmente trimestrais e depois semestrais (no máximo), podendo ter seus intervalos diminuídos de acordo com cada caso.

Dra. Iara Atié Malan – CRM/RJ 5272022-4 – Colaboradora do Blog PACEMAKERusers e do Clube do Marcapasso 

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