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O encantador de pacientes: enquanto esperava pelo marca-passo, Weslly cantava para os outros pacientes

Um pouco da minha história antes e depois do problema cardíaco. Uma doença que assusta sim, mas não me desanima e nem vejo motivo para parar pois acho que tudo na vida tem seu lado positivo.

Um pouco de mim: Nascido em 14/07/1969, Formado em técnico em contabilidade, herdeiro de uma marcenaria mais uma profissão em meu currículo, diversos cursos como programação em linguagem BASIC que me rendeu meu 1º emprego  como instrutor de informática aos 17 anos de idade, curso de eletricidade, telecomunicação, técnico em eletrônica entre outros, trabalhei para marinha, como marceneiro de bordo, e depois 12 anos em telecomunicações para OI antiga Telemar e depois GVT, e ainda tinha como um lazer estudar música especificamente guitarra elétrica e acústica. Toda esta procura de realização em outros cursos se dava a uma necessidade de não ser dependente do meu pai a quem sou muito grato por tudo na vida. Trabalhando com responsabilidade,  eu havia tirado umas 4 férias na vida e mesmo assim parar quieto em casa nunca, ou era empregado ou autônomo ou ajudando alguém.

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Foto: Weslly Jose Cuco Almeida

Em 04/11/2010  dei entrada no hospital Samcordis em São Gonçalo, apesar de chegar dirigindo, estava com 30 de batimento cardíacos por minuto e o pulmão cheio de líquido, não agüentando respirar, e logo atendido de pronto fui encaminhado direto para o CTI, pois meu estado se apresentava grave, diversos exames foram feito por diagnosticar que meu coração estava grande, e com  a intenção de saber o motivo e qual procedimento tomar, todas as medidas foram tomadas, conclusão não se sabe até hoje porque tenho esta doença, nunca bebi, fumei, nunca fui sedentário sempre pratiquei esportes tais como, futebol, vôlei, handebol, e tênis de mesa. Internado por 13 dias no CTI,  durante as visitas ouvia-se  uma única pergunta “e agora como vai ser a vida dele”, minha resposta ainda no leito “Deus esta cuidando de mim e talvez seja hora de por outros projetos em praticas, mas eu não vou parar nunca”. Já casado com um filho de 5 para 6 anos e não podendo mais trabalhar como trabalhava. Para alguns o fim,  para mim o inicio de nova jornada Deus nunca desampara, 13 dias depois alta do CTI, uma doença e uma nova visão para vida, tudo mudara, renda cai para ¼ do que recebia, mas as dividas o dobro do que quando entrei no CTI.

A 1ª ação ver o que sobrara e conversar com minha esposa, 2ª ação levantar a cabeça e ver a direção a seguir 3ª abrir um sorriso e dizer vamos a luta pois nada esta perdido, e veio a idéia de transformar um laser em um meio de trabalho, comecei a tocar em bandas buscando profissionalidade, estudando cada vez mais meu instrumento,  e comecei a fazer  show.

Em 01/03/2013 inaugurei meu estúdio de ensaio e gravação, aonde iria dar mais animo  e confiança para minha família, pois num país aonde a arte é tão necessária e é vista pelos seus beneficiados  como algo em último plano, fica difícil acreditar que um chefe de família possa viver só da arte e ainda mais quando não se é famoso.

Quem tem uma esposa como a minha, faça de tudo para não perdê-la. Nunca saiu do meu lado, mesmo nas noites mais escuras, e nos dias mais nublados, o sorriso sempre estampado no rosto como se a riqueza fizesse parte de nossas vidas, nunca foi falsidade, mas sim a real felicidade de quem tem Deus no coração e a riqueza de uma bela família pois  pode parecer chavão, mas “não tenho tudo que quero, mas amo tudo que possuo” e vejo em minhas ambições e projetos futuros o motivo para continuar lutando contra a minha doença.

Imagem2.jpgEm 16/04/2016 durante um show com 28% de funcionamento cardíaco, o que me levou a aposentadoria por invalidez, sofri uma queda de pressão no palco, o meu amigo e músico percussionista JEREMIAS PINA (JÊRE PERCUSSA), me levou para o Samcordis, olha ai eu no CTI de novo 2 dias depois por avaliação médica havia uma necessidade de implante de um marca-passo ressincronizador, de  uma cardiomiopatia havia evoluído  para arritmia grave, graças a Deus estava internado, mas não preso a leito, com isso pude ajudar pacientes em estado mais graves que o meu, e levar alegria a minha ala com auxílio de um violão, que ao ser reconhecido por alguns enfermeiros fãs de música me deixaram entrar, mesmimagem3.jpgo estando na mesma condição de doente, mas sempre cantando, rindo, contando meus planos futuros e tentando levar os outros pacientes fazerem planos para quando tiverem alta, recebi de volta o sorriso dos médicos, dos internos enfermos e das famílias dos doentes, não fazia questão de visitas da minha família estava sempre rodeado de pessoas, só quem consegue servir sabe o que é realmente estar vivo, acredite dar é tão bom quanto receber pois me prova que não estou morto.

Estava a 34 dias internado, dia 20/05/2016 tive alta, sabe para onde eu fui? Fui para meu estúdio feliz da vida, forças renovadas, cheio de planos, e quer saber não vou parar nunca,  olha eu ai na primeira apresentação, ainda mais comedido aos esforços tendo que tocar sentado por causado implante.

Quando você achar que a vida acabou para você, olhe para o lado, e Deus vai te mostrar dores que você não suportaria, mas há outros suportando vivendo sorrindo e acreditando mais que você, que esta querendo jogar a toalha, Deus da o frio conforme seu cobertor, parafraseando um dito num famoso filme, não se trata de o quanto conseguimos bater, mas sim do quanto suportamos apanhar, e eu vou apanhar, mas vou me levantar cada vez mais forte acredite.

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  Foto: Eu e meu filho cheio de estilo.

Completei 47 anos no dia 14 de julho de 2016, e sabem qual foi meu presente?

Olha aí! Uma roupa de neoprene para entrar no mar em LAGOA DOCE-BARRA do ITABAPOANA, água gelada mas disposição firme. Eu, meu filho hoje com 12 anos, e minha esposa.

“Amar para ser amado é do homem, amar por amor é divino”

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Foto: Fomos praticar pesca submarina.

*Para conhecer o trabalho de Weslly acesse sua página no Facebook .

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