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Relação entre risco cardiovascular e morte súbita entre torcedores e espectadores em eventos esportivos

Os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo, o campeonato no qual o nosso time joga, aquele  jogo que é um clássico, podem mexer com o coração da gente.

Eu mesma evito assistir aos clássicos do meu time … rsrsrs … eu ligo e desligo a TV de acordo com os gritos dos torcedores que ecoam nas ruas, porque eu realmente tenho até extrassístole a depender do jogo! rsrsrs … As emoções da espera pelo gol …

Então é sábio se policiar e entender que existem situações que a gente deve evitar! Claro que se eu vejo que meu time vai bater de goleada … aí dá para assistir mais tranquilamente! rsrsrs

Mas porque isso acontece? Você sabe? Eu tive a oportunidade de encontrar novamente com este texto que foi amplamente divulgado pela Sociedade Brasileira de Arritimias Cardíacas (SOBRAC), em 2010, que vai ajudar a você compreender melhor esse fenômeno.

Grande abraço.

Dr. Luciana Alves PhD e-Patiente Adviser | Fundadora e Blogger no PACEMAKERusers | President/CEO no Clube do Marcapasso (Organização Não Governamental) – Usuária de marca-passo cardíaco


ESTUDOS INTERNACIONAIS REVELAM QUE VITÓRIA DO TIME DO CORAÇÃO PODE REDUZIR ARRITMIAS CARDÍACAS E MORTE SÚBITA

Por: SOBRAC

Apesar dos efeitos danosos do estresse, um estudo internacional, realizado durante a Copa na França, mostrou que vitórias dos times da casa reduziram os casos de eventos cardiovasculares naquele paí­s. Mas o contrário também pode acontecer…

As vitórias do Brasil e, sobretudo, a conquista do Hexacampeonato Mundial da África do Sul podem remediar as arritmias cardí­acas e a morte súbita. A tese é baseada em um estudo realizado na França, durante a Copa do Mundo de 1998, que avaliou a hipótese da baixa mortalidade por infarto do miocárdio em homens franceses, em 1998, quando a Seleção Francesa conquistou a Copa do Mundo. O médico gaúcho Leandro Zimerman, membro do conselho da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC) -, corrobora com a tese de que o bom desempenho da Seleção Brasileira na Copa do Mundo pode reduzir os índices de morte súbita e arritmias cardí­acas em nosso paí­s.

“Fica evidente neste estudo a relação com o chamado estresse emocional positivo, a alegria da vitória. Os dados mostram que estes não aumentam os riscos, talvez até o oposto. Esta relação benéfica chama-se Eustresse”, diz Zimerman. O levantamento feito pelos médicos franceses, no dia em que a França ganhou do Brasil na final de 1998, mostrou que o número de mortes por infarto do miocárdio na população masculina francesa sofreu uma redução significativa, quando comparado num período de cinco dias antes e após a partida final.

Além da França, Zimerman revela outros indicativos para a redução de casos de morte súbita relacionado ao esporte, com ênfase nos torneios da Copa do Mundo e seus espectadores. Em artigo intitulado “O Estresse Emocional de assistir a uma partida de futebol pode desencadear Eventos Cardíacos?”, o médico traz dados interessantes, com foco no torcedor.

Riscos aumentam quando o time do coração perde

Mas e quando o time não ganha? Durante a Copa do Mundo de 1998, as admissões nos serviços de emergência por infarto do miocárdio na Inglaterra aumentaram por dois dias após a eliminação deste paí­s para a Argentina, nos pênaltis. Na Copa Européia, em 1996, a Holanda perdeu sua classificação também nos pênaltis, tendo se observado aumento importante de morte por infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral em homens; este aumento não foi observado em mulheres. E, independente da causa, a mortalidade súbita na Suíça cresceu durante o perí­odo da Copa do Mundo de 2002, quando comparada com o ano anterior.

Em pessoas com histórico de doenças card­íacas ou fatores prévios, o risco de eventos cardíacos é maior. No entanto, o estresse emocional não pode ser descartado, mesmo para a população em geral, sobretudo para o espectador/torcedor (com relevância para o sexo masculino).  Em relação especí­fica à morte súbita, vários trabalhos têm demonstrado o aumento de suas taxas em momento de grande trauma emocional.

É o caso do importante estudo realizado por médicos da clí­nica Campus Grosshadern e da Universidade Ludwig-Maximilians, de Munique, Alemanha. Eles relacionaram a realização da Copa de 2006 e os eventos cardí­acos em torcedores/espectadores. O levantamento foi feito no período anterior e durante a Copa da Alemanha (1º maio – 8 junho e 10 de Julho a 31 de julho de 2006), comparando com outro período de controle (1º de maio a 31 de julho de 2003 e 2005). Cerca de 3,2 milhões de espectadores nos estádios e bilhões de pessoas por todo o mundo assistiram às 64 partidas da última Copa do Mundo na Alemanha.

O objetivo deste estudo foi examinar a relação entre o estresse emocional e a incidência de eventos cardiovasculares.  Nos resultados apresentados, a equipe médica avaliou 4.279 pacientes com eventos cardiovasculares agudos. Nos dias de jogos envolvendo a equipe alemã, a incidência de emergências cardíacas foi 2,66 vezes maior que durante o perí­odo da Copa. Para os homens, a incidência foi de 3,26 vezes maior em relação ao perí­odo de controle de 2003 e 2005, e para as mulheres, 1,82 maior. Nos dias observados, a maior média de incidência se deu nas primeiras duas horas depois do iní­cio de cada partida.

Detectou-se, então, aumento significativo na incidência de infarto agudo do miocárdio após a equipe alemã perder uma disputa de pênaltis, e aumento na incidência de eventos cardíacos após a equipe alemã vencer uma disputa, também nos pênaltis.

Assim, os médicos do Campus Grosshadern e da Universidade Ludwig-Maximilians concluíram duas importantes premissas aos chamados eventos cardiovasculares: o estresse não é o simples resultado de um jogo – uma vitória ou uma derrota -, mas sim a intensa tensão e excitação experimentada durante a visualização de um jogo dramático, sobretudo em uma disputa de pênaltis; e, em particular na população alemã, o aumento significativo dos traumas cardiovasculares, composto tanto da síndrome coronariana aguda quanto da sintomática arritmia cardíaca, causadas pelo estresse emocional em relação aos jogos da equipe daquele país.

“Momentos de ansiedade ou raiva podem aumentar o tônus adrenérgico e a estimulação simpática do coração, com aumento de frequência cardí­aca, resistência vascular e pressão arterial. Estas alterações, por sua vez, levam a um aumento de demanda de oxigênio e risco aumentado de lesão vascular, potencializando a ruptura de placas. Estas adaptações podem levar a arritmias tanto por efeito direto como pelo desencadeamento de síndromes isquêmicas agudas”, diz o cardiologista da SOBRAC.

“A relação do risco cardiovascular, e até mesmo de morte súbita entre torcedores e espectadores, já foi estudada em outros eventos esportivos não associados ao futebol. Uma análise européia constatou 1 morte para cada 589 mil expectadores de grandes eventos esportivos. Em uma relação direta com o futebol brasileiro, seria mais ou menos o equivalente a uma morte a cada 14 jogos do Campeonato Brasileiro de futebol, considerando-se um público médio de 45 mil pessoas”, explica Zimerman, que acompanhou o basquete colegial norte-americano durante sua especialização na Universidade de Duke, na Carolina do Norte. “Devido a este risco não desprezí­vel, os jogos de basquete na Duke sempre tinham duas diferentes equipes para atendimento da parada cardíaca, uma para os atletas e outra para o público”, completa.

Como se vê, durante a realização de uma competição como a Copa do Mundo de Futebol, os casos relacionados a problemas cardiovasculares ganham proporções ainda maiores. Por isto, vencer dentro de campo pode significar poupar vidas fora dele, diminuindo os índices de arritmias cardíacas e morte súbita.

E para não ficar a mercê destes resultados, vale destacar algumas medidas de prevenção, saber o que é arritmia cardí­aca, morte súbita e, ainda, como atua o estresse no organismo humano.

 Sugestões gerais de prevenção:

– Fazer atividade fí­sica regular;

– Evitar atividade física de alta intensidade não orientada por profissionais;

– Evitar se exercitar em horários de muito calor;

– Manter hidratação adequada;

– Evitar fumo e ingestão de bebida alcoólica antes de atividade fí­sica.

 Sinais de alerta de arritmia cardíaca:

– Desmaio ou tontura forte;

– Palpitação (sensação do coração batendo descompassado);

– Dor no peito.

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