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Caixa Econômica Federal do RJ faz paciente se sentir “bandido” e demonstra despreparo no atendimento

Mais um episódio lamentável envolvendo problemas de pacientes que tem um dispositivo médico implantável, com acesso a agências bancárias. A nossa ONG Clube do Marcapasso está já com uma ação em andamento para mudar uma realidade que desrespeita a nós pacientes junto ao INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia Qualidade e Tecnologia).

Há quase 3 anos estou tratando deste assunto que a gora evolui para uma ação efetiva para solucionar e regulamentar este acesso.

O grande problema é que a indústria de fabricantes de portas de segurança que atuam no Brasil vende as portas com um “Laudo de não interferência em marca-passo”. O laudo o qual tive acesso e está nas mãos de autoridades no momento. Também conversei com o Instituto que realizou o estudo que emitiu o referido laudo e comuniquei o fato de que o mesmo vem sendo usado para justificar a venda de portas de forma indiscriminada, e não conforme atesta o mesmo em letras “miúdas” sob quais circunstâncias ele é válido.

O fato de que a indústria de portas de banco não parece saber o que significa Ensaio Clínico, de preferência randomizado (se pudesse ser duplo cego ainda melhor), não me espanta. Mas a indústria não saber que ela não tem o poder de interferir em uma recomendação médica, e de que vender as portas aos bancos não significa se eximir de responsabilidades, e que Banco também não pode induzir um paciente ao descumprimento de ordem médica, isso ultrapassa limites os quais nenhuma pessoa de bom senso ousaria, e chega a ser imoral.

A FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) realmente “lavou as mãos” ao anunciar que o documento pelo qual esperei muito mais de um ano, e que conteria recomendações aos Bancos sobre a conduta mediante o paciente usuário de dispositivos médicos implantáveis não foi aprovado para ser divulgado. (vide link da publicação aqui:  https://goo.gl/Z7Kocl)

O amigo Newton Silva Luiz, usuário de marca-passo cardíaco relatou que no dia 14 de julho ele se sentiu um bandido.

“Pessoal boa noite, eu não ia nem relatar pois me considero só mais um caso, mais….. Hoje fui impedido de entrar na caixa econômica da região oceânica de Niterói. Pois os guardas que estavam na entrada do banco alegavam que não teria problemas em passar pela porta giratória que aliás estava escrito bem grande que não seria impedimento a passagem por aí o fato de ser portador de marca-passo.

Depois de muita discussão ele me disse que abriria a porta lateral mais que iria passar o detector de mão e eu respondi que só da cintura para baixo e ele me respondeu que ou eu aceitava que ele passasse o detector por todo meu corpo ou eu não entraria, e assim ficamos bastante tempo discutindo até aparecer o gerente e vir do lado de fora falar comigo e nesse momento os dois seguranças segurarão a arma como que se eu fosse um perigo para o gerente.

Conclusão que minha filha que tem 19 anos estava super nevosa e eu também que resolvemos sair e ela ir em outra agência. Hoje na hora que os guardas seguraram as armas eu me senti um bandido pelo simples fato de querer exercer meus direitos como cidadão”.

Nossa Organização de pacientes está trabalhando firme nessa questão e não medirei esforços para que esta situação mude, de forma responsável, com regulamentação específica, com todos os atores do cenário conversando entre si, pois certamente segurança é importante, entretanto, a situação em que nos encontramos é repudiável.

E não foi por falta de tentativa minha dialogar. De um dos funcionários destas empresas, quando vi que estava “enrolando”, eu perguntei claramente: “o que está acontecendo? Quem está brecando qualquer evolução dessa história, uma vez que no início parecia que eu estava conversando com uma empresa séria”? E ele me respondeu mais ou menos assim: “é a Diretoria, eles falaram que nunca conversaram sobre este assunto”. QUE PREGUIÇA E QUE ATRASO.

Agora, quem não quis conversar comigo vai ter que conversar com muito mais pessoas, órgãos, e sociedades médicas.

A prática insólita de comércio que lesa direitos, e põe o bem estar e vidas em risco, deve ser combatida e a ONG do Clube do Marcapasso não deixará impune aqueles que atentarem contra estes direitos.

Que fique ciente também o Banco Itaú que é o campeão de queixas dos pacientes.

O Banco do Brasil é o que menos queixas temos, mas praticamente giram apenas em torno da demora em abrir a porta de acesso alternativo.

Já falei e repito: as grandes empresas, seja em que setor for, e instituições financeiras, estão ficando FALIDAS DE VALOR HUMANO agregado ao trabalho. Cuide para que a sua não seja parte do pacote.

Nós, pacientes organizados, constituídos ONG, reivindicaremos pelas mudanças necessárias para que se façam esclarecer questões e fazer valer nossos direitos.

ATENÇÃO TODOS OS PACIENTES, NÃO PASSEM PELAS PORTAS, DENUNCIEM: NÃO DESCUMPRAM ORDEM MÉDICA. FAÇA UM BOLETIM DE OCORRÊNCIA E COMUNIQUE O FATO.

Dr. Luciana Alves PhD e-Patiente Adviser | President/CEO at Clube do Marcapasso (Nonprofit Organization – Brazil) – Blogger at PACEMAKERusers

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