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Portadora de marca-passo cardíaco vai conduzir a tocha Olímpica

Tendo sido indicada pela Coca-cola no ano passado para concorrer a uma das vagas para conduzir a #TochaOlímpica, eu me segurei na emoção de aguardar pelos dias que viriam até a decisão do Comitê Olímpico. E neste mês de Abril chegou a confirmação!

O trecho a ser percorrido por mim será na Cidade de São João Del Rey (MG), no dia 15 de Maio. O texto que vocês lerão abaixo conta um pouquinho sobre minha história, e foi o enviado no processo seletivo para concorrer por uma das vagas para participar do evento.

Correr, dançar, a musculação e o Jump, foram modalidades de atividades físicas que pratiquei principalmente nestes últimos 21 anos de vida, hoje, estou com 41.

Aos 28 anos, no auge da minha energia, eu lidei com um fato que seria o início de uma transformação e um envolvimento ainda maior com a prática de atividades físicas. Foram praticamente 10 anos lidando com uma arritmia até o ponto em que dar poucos passos se tornou um desafio. Isso e mais duas paradas cardíacas marcaram a minha vida. Em junho de 2012, aos 38 anos, a solução veio com o implante de um marca-passo cardíaco. Naquela época, tudo o que eu mais queria, e que eu perguntava, era: vou poder voltar a fazer o que fazia antes, vou poder voltar a praticar atividades físicas?

O ano de 2013 foi de adaptação, naquela época praticava a corrida, a curtas distâncias, e  musculação. Aos poucos me fortaleci, mas no final de 2013, um novo desafio surgiu, e novamente tive que parar para recuperar de uma mastectomia e reconstrução, após lidar anos e anos com o fantasma do câncer de mama.

Mais uma vez me perguntei se poderia retomar as minhas atividades físicas. E sim: após 3 meses de cirurgia aos poucos voltei à ativa. Em 2014 foram mais de 2800 quilômetros percorridos, e mais a musculação.

Mas houve um novo desafio em 2014, uma nova cirurgia para reposicionar meu marca-passo foi necessária para tratar um problema que tive. Uma cirurgia mais pesada que o habitual, e mais uma recuperação.

Mas nesse momento já não me perguntava mais se eu voltaria. Eu sabia que sim. E após a recuperação, voltei a praticar todas as atividades físicas que sempre gostei de praticar antes do implante do marca-passo cardíaco.

Atualmente, fazendo este trabalho voltado a informar pacientes, familiares, e comunidade sobre a vida com um dispositivo cardíaco, meu estilo de vida ativo no PACEMAKERusers  também tem sido uma grande ferramenta de desmistificação de que, pessoas com problemas como o meu, estão fadadas a uma vida sem qualidade, e que os sonhos já não lhe pertencem mais. E sei que é justamente por praticar atividades físicas como portadora de um dispositivo médico, e mostrar às pessoas que eu me movimento na prática, que simbolicamente, por meio de um estilo de vida ativo, eu “sacudo a poeira” do desconhecimento e mostro como um coração que ama profundamente a vida bate de verdade no peito.

Dra. Luciana Alves PhD – Blogger em PACEMAKERusers – portadora de marca-passo cardíaco

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