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Todos por uma vida no carnaval: a história de Maria Aparecida

No dia 6 de Fevereiro às 15:11h, Carolina Moura entrou no Clube do Marcapasso, nosso grupo de apoio no Facebook e postou:

 “Boa tarde pessoal. Obrigada por me aceitarem no grupo. Vou contar o que me trouxe para cá. Minha mãe tem doença de Chagas, e está com muita bradicardia, com algumas paradas de até 3 segundos de acordo com holter. Até agora tratávamos com médico particular, mas ontem o cardiologista nos informou que ela precisa de um MP urgente. E infelizmente não conseguimos pagar de forma particular. Agendamos consulta pelo SUS dia 15. Mas ela está se sentindo muito mal, com tonteiras. Ela é muito emocional e eu também. Só choro desde ontem com medo dela morrer de repente. Ler os relatos de vocês me ajudou muito. Só é muito difícil neste momento”.

Após inúmeras manifestações de apoio e nos informar que até o momento a família fazia um esforço de bancar o acompanhamento particular até a data de consultar via SUS, ela manifestou sua angústia:

“Ainda não conseguimos olhar o valor do marca-passo, porque recebemos a avaliação do médico ontem. Mas já cogitamos tentar particular. Nossa cardiologista nos informou que é em torno de 35 a 40 mil reais, muito caro. Nesse momento com urgência não conseguimos esse valor. É uma sensação de impotência tão grande!” (Carolina Moura – 6 de fevereiro às 20:44h)

Às 20:49 do mesmo dia Carolina Moura postou:

“Ontem entramos em contato com muita gente aqui. Tentando uma saída, mas acho que por causa do Carnaval, não consegui nenhuma resposta. Agora estou indo levar ela no PS porque desmaiou. Orem por nós por favor”.

Foi aí que a corrida pela vida começou.

Por volta das 21:00h, dia 6 de Fevereiro, sábado de carnaval, entrei em contato com ela pelo Messenger do Facebook enviando meu contato de telefone. A partir daí realizei algumas ligações para contatos, e às 23:31h do eu consegui o contato de um técnico em marca-passos da Biotronik, que atua em Goiânia, o Eugênio Garcia, que me atendeu por volta das 23:35h da noite do sábado de carnaval. Depois de me apresentar para ele e explicar o que estava acontecendo, da urgência e dificuldades para conseguir uma vaga em hospital, e implante do dispositivo da mãe da Carolina, cujo coração já estava fraco demais para continuar a bater, perguntei a ele se conhecia algum profissional que poderia ter a disponibilidade de tentar me ajudar, e ele me passou o telefone de uma médica.

E é em situações como esta, que mais uma vez, para além da competência técnica, eu cruzo com algo ainda mais importante em saúde: a competência humana. Às 23:50h do dia 6 de Fevereiro, no sábado de carnaval deste ano, de Belo Horizonte, cidade onde resido, consegui falar com a Dra. Thaís Póvoa em Goiânia. Me apresentei, lhe expliquei a natureza do trabalho do PACEMAKERusers, e o motivo do meu contato, e mesmo nesta situação incomum, o que eu escutei foi motivo para alimentar as esperanças tanto da família quanto dos membros do grupo de apoio que acompanhavam o caso, e davam apoio para Carolina no Clube do Marcapasso. Bastante abalada com a situação da mãe cujo coração estava cada vez mais fraco, e mesmo com os esforços do CAIS  de Aparecida de Goiás, para mantê-la viva, a falta de vaga nos hospitais que poderiam dar o suporte de UTI necessário para manutenção da sua vida e implantar o marca-passo, era o cenário que era enfrentado pela família.

No dia seguinte, dia 7 de Fevereiro logo cedo, a Dra. Thaís entrou em contato com o Dr. Max Nery do Hospital ENCORE, onde trabalha, e explicou toda a história. O Hospital ENCORE, situado na cidade Goiânia, é um dos melhores hospitais da região e oferece serviço de excelência em diversas especialidades principalmente cardiologia. Ainda que não seja um hospital do SUS, algumas vagas são ofertadas para atender a esta demanda também, mas naquele momento a vaga não estava disponível. E é aqui que mais uma vez a competência humana abre as portas para proporcionar esperança para uma família.

Às 10:42 h do dia 7 de Fevereiro, domingo de Carnaval, a Dra. Thaís informou que o Dr. Max abriu uma vaga para a mãe de Carolina.

A partir daí o processo de liberação de vaga e internação, de acordo com os tramites normais do SUS, foram realizados, e às 17:20h do dia 7 de Fevereiro, eu pude postar, aliviada, que a vaga estava liberada e a mãe a caminho do Hospital Encore para internar na UTI.

No dia 8 de Fevereiro às 14:26 minutos eu recebi uma foto da Dra. Thaís e ela me relatou o sucesso do implante. Eu recebia a imagem das batidas do coração da Maria Aparecida, mãe da Carolina.

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Quando liguei para Carolina eu só pude escutar um pranto de alegria!

No dia 10 de Fevereiro às 10:02h Carolina informava:

“Boa tarde amigos. Já estamos em casa depois do implante do MP, tudo muito tranquilo hoje. Ela está bem, está disposta, é literalmente outra pessoa. Não teve nenhuma intercorrência, não necessitando de nenhum remédio além dos que já tomava. Estou muito feliz e ela também”.

O ritmo do carnaval de 2016 foi no compasso da batida do coração da Sra. Maira Aparecida, começou bem devagarinho e depois mostrou todo o seu potencial para fazer ressoar vida no coração de todos que viveram este carnaval conosco e esta história.

Mais uma vez quero expressar o meu profundo agradecimento à Dra. Thaís Póvoa, Dr. Max Nery, e pessoal administrativo do Hospital ENCORE de Goiânia que abriram as portas para atender ao pedido do projeto social PACEMAKERusers, e proporcionaram tratamento de alta qualidade à Sra. Maria Aparecida que agora só pensa em viajar!

Dra. Luciana Alves PhD – Blogger em PACEMAKERusers – portadora de marca-passo

Foto: Dra. Thaís Póvoa e Maria Aparecida na consulta do primeiro retorno pós-implante.

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