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Vou ser submetido a um procedimento cirúrgico: aplicação e influência do ímã no dispositivo cardíaco (Parte II)

Já falamos superficialmente sobre a possibilidade de aplicação de imã sobre os DCEIs em caso de realização de procedimento cirúrgico, seja cardíaco ou não.

Falaremos agora sobre a influência no paciente quando se decide por fazer a colocação do imã sobre o DCEI enquanto o procedimento cirúrgico é realizado.

A aplicação do imã sobre o DCEI faz com que o marca-passo fique estimulando de maneira assíncrona, sem respeitar o ritmo natural do paciente.

Há pacientes cujas patologias causam uma frequência cardíaca muito baixa, de maneira que esses pacientes sentem diversos sintomas bastante inconvenientes. Assim, esses pacientes podem ter certa dependência (senão total) dos estímulos artificiais fornecidos pelos DCEIs no átrio, no ventrículo ou em ambas câmaras.

Nesses casos, a aplicação do imã sobre o DCEI ou a reprogramação do DCEI por um técnico da empresa responsável pelo dispositivo para o modo assíncrono é extremamente necessária.

Caso tal aplicação do imã sobre o DCEI (ou reprogramação do DCEI pelo técnico) não seja feita e o eletrocautério for usado, o paciente pode vir a experimentar os mesmos sintomas (ou piores) de antes do implante de seu DCEI, graças à interferência que o eletrocautério pode causar.

Casos em que o paciente possui patologia que cause dependência do estímulo artificial no átrio pode ser tão importante quanto casos em que o paciente possui patologia que cause dependência do estímulo artificial no ventrículo.

Pelos meus estudos e vivência profissional, aprendi que na dependência do estímulo ventricular o DCEI envia estímulo para essa câmara, fazendo com que haja a contração do ventrículo. O não envio do estímulo para o ventrículo acarreta em um bloqueio total da frequência cardíaca ou apenas uma frequência de escape ventricular às vezes bastante baixa e pobre hemodinamicamente, bastante perigosa para o paciente.

Na dependência do estímulo artificial no átrio o DCEI envia o estímulo para essa câmara e o nó AV faz a transmissão para os feixes ventriculares para a contração natural dos ventrículos. Em alguns casos o não envio do estímulo para o átrio acarreta em não transmissão deste para os ventrículos. O resultado é um bloqueio total da frequência cardíaca ou, novamente, apenas uma frequência de escape ventricular baixa e hemodinamicamente perigosa para o paciente.

Desnecessário dizer que em casos em que há dependência dos estímulos atriais e ventriculares, o não envio desses estímulos é extremamente perigoso à vida do paciente.

Uma questão que também deve ser levantada é que nem sempre a aplicação de um dado imã resulta no funcionamento assíncrono requerido/necessário. Um imã de geladeira, por exemplo, não tem o magnetismo suficiente para ativar esse circuito interno de assincronismo do DCEI.

Outra importante questão que deve ser mencionada é que mesmo que o imã seja fornecido pelo técnico da empresa responsável pelo DCEI, pode ser que o posicionamento deste sobre o DCEI não seja feito adequadamente. Isso pode resultar e uma não ativação do circuito interno de assincronismo do DCEI.

Minha opinião profissional embasada em 18 anos de vivência na área de estimulação cardíaca artificial é que a reprogramação do DCEI é mais indicada do que a aplicação de um imã sobre o DCEI. Embasaremos essa opinião mais detalhadamente em um próximo artigo.

Em casos em que o paciente não possui dependência dos estímulos artificiais do DCEI no átrio e/ou ventrículo, os médicos às vezes preferem não pedir colocação de imã sobre o DCEI nem reprogramação pelo técnico.

A estimulação assíncrona causada pelo imã ou reprogramação do DCEI pode acarretar em um ritmo de competição com o ritmo natural, taquicardia ou mesmo arritmia severa nos pacientes. Significa dizer que uma tentativa de proteção ao paciente pode acarretar em problemas indesejados e que podem pegar a equipe médica despreparada para solucionar tais problemas.

Em caso de colocação do imã sobre o DCEI e surgimento desses problemas, basta retirar o imã de cima do DCEI e a situação normalmente é resolvida sem mais manobras.

Caso tenha sido feita uma reprogramação do DCEI pelo técnico da empresa responsável pelo dispositico antes do procedimento cirúrgico e este não estiver presente durante o procedimento, tais problemas não serão resolvidos sem que se retorne a o DCEI à sua programação anterior ao procedimento cirúrgico e a equipe médica pode ser surpreendida. Assim, a presença do técnico durante todo o procedimento é mais exigível.

 Vale sempre lembrar que o médico deve ser consultado sobre sua opinião sobre seu procedimento a ser realizado!

Eng. Caio Vinha – Especialista de Dispositivos Cardíacos – Profissional Aliado (Certified Cardiac Device Specialist – Allied Professional) – Heart Rhythm Society (HRS)/EUA – Autor convidado de PACEMAKERusers

LEIA O ARTIGO (PARTE I) AQUI http://goo.gl/t87RJR

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