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Acesso seguro a agências bancárias por portadores de dispositivos cardíacos

Em meio a problemas que sempre são relatados por portadores de marca-passo em vários estados brasileiros sobre o acesso às agências de Bancos, que vão desde demora para abertura da porta lateral, recusa em abrir alegando que a porta não interfere no dispositivo, e até mesmo desconfiança de que o portador de marca-passo está mentindo sob sua condição pois é “novo para ter um marca-passo”, vou fazer um elogio que merece ser seguido por todas as agências bancárias brasileiras.

Atualmente temos vivenciado que algumas agências bancárias têm informado aos portadores de marca-passo que a porta não interfere no dispositivo. Desta forma, vários pacientes portadores de marca-passo, munidos de suas carteiras de identificação de portador (original) e carteira de identidade (ou documento equivalente original), têm sido pressionados a ir contra a recomendação médica, o que não o fazem, E ASSIM DEVE SER, e têm tido problemas os mais diversos nessas agências.
Fica a orientação aqui, para me ajudar, porque estou muito curiosa, que o portador que for informado a este respeito solicite à agência bancária a comprovação de que seu dispositivo está na lista daqueles testados, e sobre o estudo realizado. Interessante que até hoje nenhuma destas agências demostrou estudo científico (Ensaio Clínico) que ateste a confiabilidade desta informação. Está divulgado em que revista científica? Quantos os sujeitos testados? Quais as características dos dispositivos dos “sujeitos” que participaram? Foram só portadores de marca-passo ou CDI também? Nossa! Poderia realizar várias perguntas enquanto pesquisadora. Afinal, estamos lidando com saúde não é mesmo?
Apesar de sabermos que os novos marca-passos estão bem blindados contra a maior parte das interferências, a recomendação do médico por segurança é que se utilize a porta de acesso alternativo. Como os sistemas de segurança também evoluem, podem haver novos tipos de interferências eletromagnéticas que desconhecemos. Se existem portadores que passaram sem problemas, sim, existem, e não deve ser motivo de pânico se vir a passar pela porta por puro esquecimento. Entretanto, siga a recomendação médica.
Aqui em Belo Horizonte, cidade onde resido, quero dar os parabéns ao Banco do Brasil, que além de cobrar adequadamente a carteira de portador de marca-passo, e liberar rapidamente a entrada de acesso alternativo (porta lateral), também está colocando em algumas agências alerta aos portadores de marca-passo sobre riscos de interferência e como proceder.
Espero que outras agências bancárias no Brasil, incluindo as do Banco do Brasil, também tratem os portadores de dispositivos cardíacos de forma respeitosa e que seus seguranças estejam preparados o suficiente para não dar a seguinte orientação quando um portador de marca-passo informar sua condição: “Senhora, coloque o marca-passo junto com os outros objetos na caixa antes de passar pela porta giratória”.
Em Belo Horizonte já tive problemas com a Caixa Econômica Federal, da qual não sou mais cliente. Esperamos que nenhum órgão ou empreendimento coaja pessoas a descumprir recomendações médicas baseadas em informações cuja “comprovação científica” não tenha sido “realizada” publicamente, de forma tão clara, que não suscite tantos problemas, e dúvidas.
Essa história de problema de acesso às agências que insistem em causar problemas a portadores de dispositivos cardíacos precisa acabar, e é um assunto que abordo desde que criei o PACEMAKERusers. Já passamos pela Febraban, que informou que cabia a cada banco adotar seu critério de abordagem ao portador e sobre as orientações de acesso, mas que faz recomendações que podem ou não ser seguidas pelos bancos; e pelo Banco Central do Brasil, que informou que esta questão sobre como se saber sobre qualquer informação das “portas que não interferem em marca-passo”, ou a forma como o portador é abordado, é agora com o Ministério da Justiça – Segurança. Conforme informado para a advogada Dra. Rafaela Borensztein, no seu contato com o Banco Central.
O que a gente não quer aqui é ficar girando nisso, e como tem 3 anos que bato nesta tecla estou ficando meio tonta, como se eu estivesse em uma porta giratória que nunca para. Afinal quem se responsabiliza? Alguém responde? Ministério da Justiça, como o portador de dispositivo cardíaco deve agir quando for constrangido em uma agência bancaria? Quando for impedido de acessar a mesma por estar seguindo uma recomendação médica, e insistirem que ele só entra pela porta com detectores de metais? Quando estiver esperando, e esperando, e esperando, e esperando … até que alguém pense que está fazendo um favor por abrir a porta para esta pessoa?
Espero que o exemplo das agências bancárias do Banco do Brasil que frequento na minha cidade (Belo Horizonte – MG. Código dos Bancos; 3608; 4352; e agência 3609-9) seja seguido. Muito obrigada pelo respeito à minha saúde, pelo acesso alternativo seguro, e pelos profissionais bem orientados com os quais tenho o prazer de interagir nestas agências.
Dr. Luciana Alves PhD e-Patiente Adviser | Fundadora e Blogger no PACEMAKERusers |President/CEO no Clube do Marcapasso (Organização Não Governamental)
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