Minha História

Arturzinho: um homem pode cair com a cara no chão, só não pode lhe faltar a coragem

Meu nome é Artur Roberto Zacarias Rebouças, os amigos me chamam de Arturzinho ou Pirata, tenho 40 anos, sou de São Paulo (SP).

Minha primeira internação foi no Dante Pazzanese para implante de um marca-passo em fevereiro de 2012. Em junho de 2015 meu marca-passo foi trocado por um cardioversor desfibrilador implantável (CDI), na Beneficência Portuguesa.

Sou um homem de fé, cada qual à sua maneira, acredito que é importante que todos tenham fé e crença em Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Após todas as dificuldades enfrentadas, agradeci à NOSSA SENHORA APARECIDA e assim que pude fui à casa da minha mãe acendi uma vela da minha altura em agradecimento à Ela e a todos que rezaram por mim.

Confesso que durante muito tempo escondi minha condição. Na verdade, escondi isso de um jeito que muito poucas pessoas, uma ou outra mesmo sabia, mas a maioria não sabia de nada.

E eu fiz isso porque eu queria ser tratado igual a todo mundo, porque odeio o sentimento de pena e também acho que cada pessoa sabe o que pode ou não pode fazer. E como dizia Raul Seixas: “você tem o direito de usar uma meia em cada pé”.

Um dia decidi que eu contaria sobre minha condição, e isso foi neste ano (2015). Levei 40 anos para falar sobre isso abertamente: dizer que tenho um problema de saúde congênito e sou portador de um dispositivo cardíaco.

Na época em que eu contei isso aos amigos, foi quando eu tive um desmaio (síncope) caminhando em meu condomínio, e foi isto que motivou o implante de um CDI. Os amigos perguntavam o que tinha acontecido e aí resolvi falar.

Estou compartilhando esta minha história para passar uma mensagem para as pessoas: não tratem pessoas como eu e os milhares de outros portadores de marca-passo e CDI de forma diferente. Nós não somos. Nada muda, o coração não muda, a personalidade não muda, o amor e alegria de estar com os amigos e compartilhar os momentos da vida não mudam. Nem a capacidade para o trabalho, nem nada no meu caso.

E eu vejo o quanto amadureci. E eu que tinha receio de falar para os amigos que era portador de um dispositivo cardíaco, hoje eu conto para todos que lêem minha história, porquê eu sei que essa mensagem é importante para outros que estão na situação que eu estava, com receio de serem tratados diferentes. Espero que estas pessoas possam se sentir livres e também se assumirem como portadores de um dispositivo médico. Afinal, isso é só um detalhe. E para aqueles que pensam que devemos ser tratados de forma diferente, repensem.

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