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Consequências das fraturas de cabos em portadores de cardioversor desfibrilador implantável: o que o paciente pode vir a sentir?

Já falamos de fatores que podem influenciar em deslocamentos e fraturas de cabos dos dispositivos cardíacos implantáveis.

Também já falamos sobre as consequências dessas fraturas de cabos em marca-passos e ressincronizadores. Falta falar sobre tais consequências em cardioversor desfibrilador implantável (CDI) e cardioversor implantável com a terapia de ressincronização cardíaca CRTD.

No caso dos CDIs, dispositivos de alta tensão, simplificaremos aqui como existindo modelos CDI VVI e CDI DDD.

As observações feitas sobre os cabos dos marca-passos VVI e DDD se aplicam aos CDI VVI e CDI DDD.

Para o portador de CDI VVI, a fratura completa do cabo no ventrículo direito cessa a monitoração do ritmo nessa câmara e o envio de estímulo elétrico ao coração. O paciente experimentará os sintomas que tinha antes do implante.

Para o portador de CDI DDD, a fratura completa do cabo no átrio direito cessam a monitoração e a estimulação elétrica nessa câmara e esse gerador se tornará um CDI VVI, somente com monitoração e estimulação elétrica no ventrículo direito. O paciente pode vir a experimentar algum desconforto e alguns sintomas presentes antes do implante.

Com fratura completa do cabo no ventrículo direito, cessam a monitoração e estimulação elétrica nessa câmara, e o paciente experimentará os mesmos (ou piores) sintomas que possuía antes do implante, pois a estimulação ventricular pode ser importante para ele. O “trabalho” que o cabo atrial (que não tem fratura nesse exemplo) segue realizando surte pouco ou nenhum efeito de melhoria para o paciente em termos de sintomas.

Caso haja fratura completa de ambos cabos, cessam a monitoração e estimulação elétrica de ambas câmaras (atrial e ventricular), fazendo com que o paciente experimente os mesmos (ou piores) sintomas que tinha antes do implante.

Mas isso já sabemos pelo artigo anterior sobre fraturas de cabos em marca-passos. A novidade é que nos CDIs vem incorporado no cabo uma “mola”, usada para liberação do choque que trata as taquiarritmias ventriculares.

Caso haja fratura completa dessa “mola” para choque, mesmo que haja diagnóstico correto feito pela monitoração do cabo que foi implantado no ventrículo direito, não haverá liberação correta do choque ao paciente e, mais, não é feito o tratamento (reversão) da taquiarritmia ventricular e, infelizmente, como última consequência, o paciente pode até ir a óbito…

As observações feitas sobre os cabos dos ressincronizadores se aplicam aos cabos dos CRTDs, os chamados CDIs com ressincronizadores.

Uma das diferenças do portador de CDI DDD para o portador de CRTD é que caso ocorra apenas fratura completa do cabo no ventrículo direito, permanece ainda a monitoração e estimulação elétrica no ventrículo esquerdo, fazendo com que os sintomas eventualmente não sejam tão graves, podendo às vezes até passarem despercebidos pelo paciente.

Caso haja apenas fratura completa do cabo no ventrículo esquerdo, permanece ainda a monitoração elétrica do ventrículo direito, mas o paciente pode relatar sintomas idênticos ou piores aos que sentia antes do implante.

Em caso de haver fratura completa dos cabos no ventrículo direito e ventrículo esquerdo, os sintomas relatados seguramente serão idênticos ou piores dos relatados antes do implante.

De igual maneira, as observações feitas sobre a “mola” de choque no cabo implantado no ventrículo direito dos CDIs são as mesmas para a “mola” de choque no cabo implantado no ventrículo direito dos CRTDs. Assim, se houver fratura completa deste componente, em última instância, o paciente pode ir a óbito.

Novamente, tais fraturas podem ser detectadas pelo raio X mas há também a possibilidade de detectar a fratura ou até mesmo a indicação de uma provável e futura fratura por meio das avaliações periódicas.

Fica fácil compreender que comparecer às avaliações agendadas com o médico que acompanha o caso do paciente é primordial!

O porquê do médico escolher um ou outro modelo de CDI ou CRTD está relacionado com a patologia de cada paciente e suas necessidades. Tenha certeza que o médico escolherá o melhor dispositivo para cada caso!

Eng. Caio Vinha – Especialista de Dispositivos Cardíacos – Profissional Aliado (Certified Cardiac Device Specialist – Allied Professional) – Heart Rhythm Society (HRS)/EUA. – Autor convidado de PACEMAKERusers

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