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Marca-passo: sensores que deixam seu coração no ritmo certo

Há inúmeras doenças que podem levar um paciente a necessitar de um marca-passo para retomar suas atividades diárias ao ritmo normal. Essas doenças acometem o sistema elétrico de condução do coração fazendo com que a frequência cardíaca fique abaixo daquela que seria o ideal para exercer as atividades do dia-a-dia sem sofrer incomodo como o cansaço, a falta de ar, tonturas ou mesmo desmaios. Quando esses sintomas aparecem e é diagnosticado que o sistema excito-condutor está comprometido o Implante de marca-passo é indicado.

Algumas das doenças podem afetar a condução do pulso elétrico dos átrios para os ventrículos, outras, podem acorrer diretamente no nó sinusal. Quando o nó sinusal está comprometido o coração do paciente não responde à demanda de batimentos necessários para que ele execute suas atividades, sejam elas, físicas, mentais ou mesmo situações que exigem resposta rápida, como numa situação de perigo.

De maneira geral, quando somos submetidos a uma demanda de frequência, é nosso nó sinusal (o marca-passos natural do coração) quem dá ritmo ao que fazemos, e é por isso que nossa frequência pode variar tanto (e isso não está errado!). Se fizermos uma corrida, uma caminhada, uma prova no vestibular, resolver uma “palavra cruzada” sentado no sofá, levar um susto de alguém, assistir ao filme de suspense ou estar em uma situação de perigo que exige reação imediata, em todas essas situações seu coração deve aumentar a frequência cardíaca e mantê-la durante o tempo que for preciso ou, ao contrário, reduzir a frequência quando não há mais a necessidade.

Quando o nó sinusal perde a capacidade de responder de forma correta o marca-passo entra em ação. A princípio pode parecer estranho como o aparelho responde a essas variações de frequência, mas acredite, ele pode fazer sua frequência variar perfeitamente quando houver necessidade. Os dispositivos possuem sensores que identificam se é preciso variar a frequência ou não, sem que seja preciso que você tome nenhuma providencia para que isso aconteça.

Os sensores mais utilizados são sensores de movimento. De forma bem simplista, para fins didáticos, eles transformam as vibrações mecânicas em sinais elétricos que dão a dimensão do movimento e, consequente, o dispositivo pode variar sua frequência, tanto aumentando gradativamente, quando diminuindo, se voltam ao repouso. Mas se você gosta de pedalar no asfalto, se executa atividades diárias frente ao computador, se sofre uma vida estressante? São situações nas quais os sensores de movimento respondem com certas limitações. Você já deve ter notado que seus batimentos aumentam em algumas situações em que você está totalmente imóvel, certo? Nessas situações há outros tipos de sensores que fazem o papel de um nó-sinusal preservado, um deles é o CLS (Closed Loop Stimulation). A mais recente geração de marca-passos da Biotronik por exemplo, reage também às mudanças emocionais.

Determinados marca-passos adaptam-se a estas situações, ou seja, viva sua vida de forma intensa e quanto ao ritmo, fique tranquilo que o marca-passo toma conta por você.

Rafael Dorneles de Souza Gomides – Técnico em marca-passo e CDI – Autor convidado de PACEMAKERusers

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