Minha História

A história de Thaisa: fé para enfrentar as dificuldades e gratidão por estar viva

Olá pessoal! Muito bom falar com vocês! Sou Thaisa Reis, tenho 29 anos e sou portadora do dispositivo cardíaco CDI (cardioversor desfibrilador implantável). Estou apoiando a campanha do Dia do Marcapasso, de 23 de setembro, e criei o Jingle para orientar e conscientizar todas as pessoas sobre a importância da medida de pulso.

E o porque de tudo isso só tem uma resposta: a minha história.

A sete anos atrás, ganhei a vida de volta. Era uma adolescente como tantas outras, ativa, agitada, gostava de esportes, saía com os amigos. Frequentava o curso de Graduação em Educação Física de Franca (SP).

Vó Rosa e Eu.

Vó Rosa e Eu.

Tudo começou com minha avó paterna, a vó Rosa. Na ocasião, ela estava internada no hospital de Passos  (MG) minha cidade natal e, sabendo disso concluí que precisava visitá-la já que ela nunca esteve em hospital com qualquer doença. Meu receio de perdê-la me levou até lá. Neste dia, eu decidi que ficaria de acompanhante no quarto e cuidaria dela. Ela foi resistente, me deu bronca pois não queria que eu “perdesse” meu sábado ficando dentro de um hospital. Mas algo me dizia que eu precisava ficar e assim eu fiz.

A noite chegou e ficamos só nós duas. Os enfermeiros já tinham tirado o acesso do soro, ela já tinha tomado os medicamentos estava bem melhor. Estava livre na cama para se movimentar. Ela dormiu e eu fiquei mexendo no celular vigiando o sono dela. De repente senti meus pés formigarem muito, de um jeito que nunca havia sentido. Um formigamento estranho e intenso.Achei aquilo estranho e fui até a porta do quarto com o intuito de perguntar sobre isso para algum enfermeiro, mais não avistei ninguém. Fui então até o banheiro e quando voltei, não me lembro de mais nada.

O que conto agora são relatos da minha avó.

Quando caí de rosto no chão, vovó ouviu o barulho, acordou e assustada me chamou, mas eu não respondi. Ela então acendeu à luz, foi ao meu encontro e eu estava intacta.

Ela logo foi até a porta desesperada pois percebeu que algo grave estava acontecendo e pediu ajuda. A ajuda então chegou, e quando me viraram eu estava sem pulso e gelada. O enfermeiro fez a massagem cardíaca, conseguiu me reanimar e voltei com um ronco a respirar depois de quase cinco minutos sem oxigenação.

Não havia um arranhão sequer no meu rosto, não quebrei nada, não machuquei nariz, meu rosto estava intacto apesar de ter caído batendo no chão. Fui então encaminhada para a emergência na madrugada do dia 02 de novembro de 2008. Quando abri os olhos mamãe estava do meu lado e respirou tranquila. Fiquei com uma amnésia momentânea. Tomei soro, fiz exames, e enquanto isso papai estava no quarto com minha avó procurando dentro da minha bolsa algo que pudesse explicar o ocorrido. A primeira impressão foi que eu poderia ter tomado algum remédio muito forte que causaria aquele “desmaio”.

A indagação foi como uma pessoa de 22 anos, ativa, que nunca precisou ir a um hospital desmaiaria assim sem mais nem menos. Claro que não encontraram nada dentro da bolsa porque aquilo não foi um simples desmaio, foi uma parada cardíaca.

Depois de tomar o soro e ser monitorada desde então, o plantonista me liberou no outro dia a tarde dizendo que não havia nada.

Mamãe e papai me levaram pra casa mais coração de mãe não se engana. Ela ficou com aquilo na cabeça e não engoliu a história de que eu não tinha nada. Aquilo nunca tinha acontecido antes. E foi algo muito sério aos olhos dela. Então ela ligou para o cardiologista amigo da família e ficou marcado um teste da esteira no outro dia. Foi aí que descobriram que eu tinha uma arritmia (ritmo do coração alterado) e bradicardia (frequência cardíaca muito baixa- meu coração batia a 35 bpm).

Me internaram e depois de alguns dias fui transferida para São Paulo, operei e coloquei o dispositivo cardíaco. Desde então sou acompanhada em consultas de rotina de seis em seis meses.

Ano passado, precisei trocar a bateria do CDI. Foram cirurgias difíceis, na verdade, era só a bateria, mas na cirurgia da troca descobriram uma falha no eletrodo e precisei fazer mais duas cirurgias em momentos diferentes. Foi uma recuperação longa, complicada, mas tudo passou e venci mais essa etapa.

Bom, atribuo minha história como a devolução da minha vida. Deus me proporcionou isso e cuidou de mim de uma maneira que nunca pude imaginar. Colocou pessoas que foram essenciais para que eu pudesse ser salva, permitiu cada detalhe sutil, como a vovó sem acesso do soro, podendo se movimentar e me socorrer, meu desejo intenso de ficar com ela justo naquele dia, meu noivo ligando no celular insistentemente quando caí, o coração inquieto da mamãe sobre o acontecido.

Essas e outras pessoas especiais, cada uma com seu papel,contribuíram de alguma forma. Pessoas que eu nem conhecia se dispuseram a ajudar, médicos muito capacitados desde a cidade de Passos até São Paulo, orações de quem me conhecia só por nome. Tenho muito a agradecer cada uma delas e peço a Deus que as abençoe sempre. Esse presente não tem preço e o que posso fazer diante disso é compartilhar minha história, meu sentimento em relação a tudo que se passa e ao que já passou, é soltar a voz com o dom que Deus me deu de tocar e cantar, ajudar as pessoas a entender que a vida com marca-passo é uma vida normal. Temos algumas limitações pequenas, mas a vida pode ser vivida intensamente.

Há quem possa pensar que tudo foi coincidência. Momentos assim na vida e experiências que vivi me fazem crer em algo maior. Em uma missão maior. Como a de estar aqui hoje para dividir com vocês essa história tão particular, tranquilizar muitas pessoas sobre o dispositivo, participar e engajar numa campanha tão bacana como essa.

Agradeço muito a Deus por ter passado por isso. Me fez ter mais fé e entender que a vida é uma só e não cabe tristezas desnecessárias. Cabe alegria, cabe sorriso, cabe força de vontade. É um dia de cada vez. Fé para enfrentar as dificuldades e gratidão por estar viva.

“ Dia após dia, com alegria, sempre buscando além “.

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