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Porque tantos jovens têm morte súbita cardíaca?

De grande interesse e importância mediante o alarmante número de casos de morte súbita em jovens, a Sociedade Brasileira do Arritmias Cardíacas divulgou o seguinte alerta e que reproduzo aqui na íntegra.

Morte Súbita Cardíaca, conhecida há muito tempo, ainda gera espanto, impacta, repercute na mídia e suscita muitas dúvidas. Quando envolve personalidades e, principalmente, adolescentes que praticam esporte, ocorre uma desconexão entre o que entendemos como ‘padrão’ e o que está fora do senso comum.

“Nos últimos anos, observamos um aumento de casos onde as vítimas são adolescentes, aparentemente saudáveis e praticantes de atividades físicas. Não é a prática do esporte que tem causado morte, mas a ausência de exames preliminares que poderiam diagnosticar e evitar a morte súbita, sobretudo entre os mais jovens”,

avalia o Presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), o cardiologista Luiz Pereira de Magalhães.

No Brasil, de acordo com dados obtidos pelo Ministério da Saúde, são aproximadamente 300 mil casos de morte súbita decorrentes de algum tipo de arritmia cardíaca. Isso representa quase 1000 óbitos por dia, aproximadamente 45 por hora e quase 2 por minuto. Alguns estudos internacionais apontam ainda que o risco de morte por doença coronariana tem sido relativamente alto em sedentários e em indivíduos ativos.

A história clássica de morte súbita cardíaca na literatura mundial é a do soldado ateniense Phidippides, que morreu aos 40 anos de idade, após correr os 42.195 metros que separavam as cidades de Atenas e Maratona, em 490 a.C. Na era moderna, outras duas mortes súbitas com atletas despertaram atenção: em 1967, o campeão inglês e mundial de ciclismo Tom Simpson sofreu uma parada cardíaca durante o Tour de France, por exaustão, calor e a combinação de álcool e anfetamina, aos 30 anos; no Brasil, o caso mais emblemático aconteceu com o zagueiro Serginho, do São Caetano, em 2004, que sofreu uma parada cardíaca durante o jogo contra o São Paulo e morreu, também aos 30 anos.

Nos últimos meses, diversos casos de morte súbita têm sido relatados na imprensa, muitos deles envolvendo jovens. Múltiplos fatores podem causar parada cardíaca e morte súbita. Existem arritmias cardíacas assintomáticas, que precisam de uma investigação mais apurada e, por outro lado, um grupo de maior risco, composto por pessoas que já tiveram infarto ou são portadoras de doenças cardiovasculares.

“A prevenção é muito importante, especialmente a realização de consultas regulares com cardiologista e especialistas da área, como arritmologistas e eletrofisiologistas”,

explica o presidente da SOBRAC.

Esporte faz bem e é amplamente recomendado por todas as Sociedades médicas e instituições de saúde em todo mundo. Mas é preciso atenção, sobretudo antes de iniciar uma atividade física:

“Avaliação médica com cardiologista não é simplesmente ter um atestado que permite a prática esportiva. É preciso ter critérios específicos para avaliar, com consulta e exames físicos completos e, possivelmente, a realização de eletrocardiograma. Isso serve para todas as idades, incluindo os adolescentes, e diferentes níveis socioeconômicos, desde a escola pública até a academia mais sofisticada”,

diz Luiz Magalhães.

Atletas

Qualquer prática esportiva é benéfica para o coração, até mesmo as mais simples, como uma caminhada de 30 minutos, três vezes por semana.

Em média, a frequência cardíaca normal é de 80 batimentos por minuto (bpm). Atletas profissionais, bem treinados e que contam com o auxílio de especialistas, monitoram e avaliam as condições cardíacas constantemente. O ritmo cardíaco regular de um atleta é de 40-50 bpm. Em determinadas situações, este ritmo pode sofrer uma elevação para 100-120 bpm ou até entre 140-150 bpm, em condições normais. No entanto, caso salte para até 200 bpm de forma instantânea e inesperada, é preciso realizar uma avaliação criteriosa para detectar as causas desta aceleração.

Para o cardiologista Luiz Pereira de Magalhães, a ocorrência de taquicardia durante uma atividade esportiva tem que ser investigada imediatamente com ajuda de um eletrocardiograma, que poderá diagnosticar a causa de forma muito precisa, sem eximir o paciente de outros exames complementares.

“Procurar auxílio médico logo após perceber esta elevação pode esclarecer possíveis causas. Deixar pra depois pode dificultar o diagnóstico”,

relata Magalhães.

Sedentários: chance maior de sofrer uma arritmia cardíaca

Para o cardiologista, os sedentários são ainda mais preocupantes. Este grupo tem uma probabilidade maior em adquirir arritmia cardíaca. Da mesma forma, os obesos, fumantes, pessoas que têm alimentação desequilibrada e os que exageram no uso de bebidas alcoólicas e no consumo de energéticos.

Para os obesos, por exemplo, os riscos são o aumento da área corporal que obriga o trabalho dobrado do coração, o que provoca a elevação da pressão arterial e dos níveis do colesterol ruim (LDL), servindo de gatilho para um ataque cardíaco.

O tabagismo, por sua vez, acelera o processo de depósito de placas de colesterol, aumenta a formação de coágulos, o enrijecimento arterial e contribui para o surgimento da hipertensão arterial. Quando existente por muito tempo, a pressão alta causa danos às paredes das artérias menores, como as coronárias e acelera o processo ateroesclerótico. São fatores de risco para a morte súbita e outras doenças, como a hipertensão e sua pior consequência: o Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Cerca de 5% da população brasileira sofre com algum tipo de arritmia cardíaca – taquicardia (frequência alta) ou bradicardia (frequência baixa) –, que desencadeia doenças cardiovasculares, infarto, AVC e, principalmente, morte súbita.

“Existem diversos métodos e recursos para diagnosticar e tratar uma arritmia. O problema é não procurar o acompanhamento médico mais adequado e a doença se agravar. Mesmo em pessoas muito jovens”,

completa o cardiologista Luiz Pereira de Magalhães, da SOBRAC.

Luiz Pereira de Magalhães, cardiologista, presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas. Graduado em Medicina pela Universidade Federal da Bahia (1989). Habilitado em Eletrofisiologia pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas, em 1994. Médico coordenador do Serviço de Eletrofisiologia do Hospital Universitário Prof. Edgard Santos e Hospital Ana Nery da Universidade Federal da Bahia, e do Serviço de Arritmia do Hospital Português.

PARA SABER MAIS ACESSE

SOBRAC: SITE

Arritmias Cardíacas:  Campanha

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