Minha História

Levei 5 choques inapropriados, mas Deus é grandioso comigo

Olá amig@s. Como já havia comentado na página do PACEMAKERusers, no Facebook, esse lugar, onde tantas pessoas compartilham também as suas histórias, me faz sentir “normal”.

Em março de 2010 implantei um CDI devido há uma arritmia, mas eu já tinha uma doença de base, a miocardiopatia hipertrófica, que herdei da minha mãe. Até os 25 anos nunca havia sentido nada, nem tomava remédios. Malhava bastante, vida bem movimentada. Sou engenheira civil e a luta era grande porque minha praia sempre foi obra!!

Me casei aos trinta e tive um filho aos trinta e dois. Foi aí que tudo começou: falta de ar, cansaço, dentro das possibilidades tive uma gravidez tranquila. Mas em 2010, depois de exames de rotina, fui encaminhada  para dois arritmologistas. Estes, por sua vez, decidiram que diante do histórico familiar seria necessário implantar um CDI, e na época fiquei chocada. Sou muito vaidosa … foi terrível, e já pensei que estava com o “pé na cova”.

Enfim, já com CDI, fui levar uma vida normal, “tentar” pelo menos, não dava pra ter aquela vida corrida de antes, nada de trabalhar em altura, mexer em um quadro energizado jamais, passar embaixo de torres de transmissão de celular, nem pensar (na época trabalhava na área de engenharia de uma empresa de telefonia celular). Então, um dia, voltando pra casa, vindo de uma obra, senti uma coisa estranha, um apagão rápido, mas sem dor. Foi aí que levei o segundo choque, este foi mais intenso e doeu muito. Como o trânsito estava parado, e foi a sorte, consegui descer do viaduto onde estava até chegar a uns guardas de trânsito que foram uns verdadeiros anjos.

Enquanto eu descia o viaduto levei outro choque, consegui ligar pro meu marido, que já tinha pego nosso filho na escola e desviou o caminho pra ir me socorrer. Eu já estava em pânico, sentindo muitas dores, inclusive no braço esquerdo, e pensei que estava enfartando. Olha, foi horrível, os guardas de trânsito conseguiram um batedor e livraram o trânsito bem rápido para que meu marido chegasse logo, e isso saiu até no jornal (escrito) local aqui, porque meu marido fez questão de mandar uma carta à prefeitura para agradecer a atenção comigo.

O pior de tudo é que levei 5 choques sem a menor necessidade, acredite, não tive arritmia, simplesmente um dos dois eletrodos, não sei explicar bem, mas parece que oxidou ou roçou no outro e o aparelho entendeu que eu estava precisando de choques, segundo meu médico, isso nunca acontece, ou acontece uma vez em um milhão, digamos assim. Bom, foi a explicação que o técnico me deu, pois quando ele chegou ao hospital (a mando do meu médico quem faz meu acompanhamento e implantes), eu já estava sem bateria, não tinha como ele fazer nenhuma leitura, essa correria todinha foi dia 03/09/14. Segundo meu médico, era provável que eu tivesse ainda uns 30% de bateria, podendo ser trocada no período previsto, março de 2015.

Porém o eletrodo teve esse desgaste e tudo isso aconteceu. Na época eu estava sem plano de saúde, então meu médico, gentilmente, me conseguiu um leito no PROCAPE, na verdade, era uma área reservada somente para pacientes de marca-passo, e naquele período, não havia ninguém internado lá, somente eu, até nisso Deus foi grandioso comigo, além de todos os livramentos.

Barbara Barbosa Acioli – Recife (PE)
Foto: Barbara; Miguel Acioli, um garotinho sapeca de oito anos. Gustavo Acioli, o marido. A tia e companheira Patrícia Duprat; e mãe de Barbara, Cristina Duprat; e Cinthya Mota, irmã.
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