Minha História

Eu tenho válvula cardíaca: hoje, além do pilates, eu corro e faço academia

Olá pessoal! Meu nome é Felipe Cassettari Prieto, tenho 25 anos, e sou de São Paulo – SP.

Minha história começa quando eu era criança. Meus pais sabiam dos problemas da minha válvula aórtica bicúspide desde os 6 meses de idade, porque eu não tinha forças pra mamar, e sabiam que um dia a troca seria necessária.

A partir daí, iniciei (meus pais iniciaram…rs) um acompanhamento clínico trimestral/semestral no INCOR-SP. Quando criança na escola, nunca deixei de participar das atividades físicas. Minha mãe sempre me encorajou, por acreditar que minha saúde dependia do condicionamento físico (por mínimo que fosse). Como sempre fui disciplinado, sabia dos meus limites, e não os ultrapassava. Jogava futebol quase sempre no gol, parava antes, não corria tanto … e meus amigos sempre entenderam.

Sempre ouvi dos médicos que quanto mais tarde fosse minha cirurgia, melhor. Inicialmente, o objetivo era passar pelos 16 anos, e completar meu crescimento. Consegui. Em seguida, ficamos mais atentos. Fiz intercâmbios acadêmicos durante o colegial (6 meses) e durante a faculdade (1 ano). Nesse período fui colocado algumas vezes na fila de cirurgia, e acabei voltando para o acompanhamento clínico.

A partir dos 22 anos, estava claro que estva chegando a hora. Meu gradiente estava subindo, e eu estava sentindo cada vez mais cansaço. Já não fazia mais atividades físicas.

No INCOR, minhas opções de válvula (pelo SUS) eram a metálica (permanente + anti-coagulante) ou a biológica nacional (10-12 anos de duração). Aí então eu e minha mãe começamos a ver outras opções. No ano passado, fui me consultar na Beneficiência Portuguesa – SP, que também é referência em cirurgias cardíacas. Lá pude ser atendido através do meu convênio, e foi aí que encontrei novas oportunidades.

Pelo convênio, havia a opção de uma válvula biológica importada (Mitroflow), com duração de cerca de 25 anos. Meu médico apresentou motivos que apontavam que a válvula metálica já não era a mais indicada (em 20 anos as coisas mudam…), e que eu não precisaria tomar anti-coagulante o resto da vida. Saímos da consulta (eu e minha mãe) com outra mente. Percebi que estava na hora, e fiquei feliz por isso.

Fiz a cirurgia em 11/12/14, já com 24 anos, na Beneficiência Portuguesa.

O pós-operatório não é rápido. Digo, nas primeiras duas semanas tive um avanço muitíssimo rápido. Nos primeiros dias já estava andando, e na segunda semana já fazia tudo sozinho (com cautela, lógico). Um mes mês depois, já retomei o trabalho (pois trabalho com programação, em home-office). A parte demorada está principalmente em dormir bem. Por quase 2 meses dormi apenas de barriga pra cima, não conseguia outra posição, e tive muitas dores nas costas … mas aos poucos as coisas foram se acertando. O que todos escutam e os médicos sempre repetem (e é a pura verdade) é apenas uma palavra… PACIÊNCIA.

Ainda no hospital, começaram as seções de fisioterapia, e tentei manter a rotina em casa também. Depois de 3 meses comecei a fazer aulas de Pilates, e isso ajudou a retomar/iniciar uma rotina física saudável. Sem perceber, já estava dormindo bem.

Hoje, quase 7 meses depois, além do Pilates, comecei a correr e a fazer academia. Estou totalmente condicionado, como nunca estive antes. Até o fim do ano, tenho como objetivo participar de alguma corrida de 10km, o que será uma bela conquista.

A cicatriz não ficou 100%, pois já tenho tendência a queloides, e não cuidei tanto desde o início. Os próprios médicos foram contra o uso de pomadas e tal (a preocupacão deles é outra). Mas estou fazendo tratamento com dermatologista, e está melhorando. E cá entre nós, esse é o menor dos problemas…rs.

Bom, espero que meu relato sirva de auxílio aos que passarão por situações parecidas.

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