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Meu médico diz que eu tenho um marca-passo DDD. O que ele quer dizer com isso?

Nós médicos temos o nem sempre bom hábito de usar muitos termos técnicos da profissão quando conversamos com o paciente.

Hoje em dia, com a popularidade de vários programas que exploram o dia a dia médico na TV, a população em geral já é familiarizada com vários termos técnicos que usamos, mas mesmo assim as dúvidas (e até interpretações errôneas dos termos) ocorrem frequentemente.

Em relação aos portadores de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis (DCEI), não é diferente. Frequentemente surgem dúvidas dos pacientes sobre qual o tipo de DCEI que possuem e porque na carteirinha do dispositivo está escrito “MPDDD” ou “TRC-D”, por exemplo.

Para identificar os vários modos de estimulação disponíveis, as sociedades americana e britânica de estimulação cardíaca propuseram o seguinte código composto de 5 letras:

  • Primeira letra – representa a câmara estimulada: A (átrio), V(ventrículo), D(átrio e ventrículo) e O (nenhuma)
  • Segunda letra – indica a câmara sentida: A, V, D ou O (como acima)
  • Terceira letra – demonstra o comportamento do aparelho frente a um sinal intrínseco do paciente: T (deflagra), I (inibe), D (deflagração e inibição) e O (nenhum)
  • Quarta letra – indica as capacidades de programação e se o dispositivo apresenta resposta de frequência: P (programável), M (multiprogramável), R (com resposta de frequência), C (com telemetria) e O (nenhuma)
  • Quinta letra – identifica a presença ou não de funções antitaquicardia: P (pacing), S (shock), D (pacing + shock) e O (nenhuma).

Na prática, raramente são utilizadas as duas últimas letras, pois atualmente todos os dispositivos são multiprogramáveis, com resposta em frequência – um parâmetro que pode ou não ser ligado via programação – e, apesar de alguns marca-passos efetivamente exibirem funções antitaquicardia, essas atribuições estão concentradas nos cárdio-desfibriladores implantáveis (CDI).

Quando o paciente é portador de ressincronizador cardíaco, dizemos que ele é portador de TRC. Se o TRC não tem função de desfibrilação associada, chamamos de TRC-P e se tem função desfibriladora, damos o nome de TRC-D.

Nunca é demais lembrar que qualquer dúvida sobre seu tratamento deve ser esclarecida com seu médico assistente. Ele é a pessoa mais indicada para isso, pois conhece todo o seu histórico médico.

Por Dra. Cláudia da Silva Fragata – CRM-SP 98985 – Autora convidada de PACEMAKERusers

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