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Fatores que podem influenciar na ruptura de cabos e eletrodos

Quais os fatores que podem influenciar na ruptura de cabos e eletrodos: só o desgaste natural ou levantar peso, a posição do implante no corpo, etc?

Pode-se dizer que todos os fatores acima e outros mais podem influenciar na ruptura de cabos e eletrodos.

É fato que os grandes vilões dos problemas encontrados nas avaliações de pacientes portadores de dispositivos são os componentes mecânicos, em sua grande parte os cabos e eletrodos, os quais estão em constante atrito com o corpo em movimento.

O desgaste natural é um fator inegável a uma possível ruptura de cabos e eletrodos e infelizmente acontece. Entretanto, houve aumento no tempo em que um desgaste natural leva para causar uma ruptura de cabos e eletrodos, pois novas tecnologias de cabos e eletrodos são desenvolvidas constantemente, fazendo surgir novos produtos no mercado e aumentando a esperança da comunidade médica e também dos pacientes, com a possibilidade de uma maior vida útil desses cabos e eletrodos.

A influência do levantamento de peso em uma possível ruptura de cabos e eletrodos depende de alguns fatores.

O médico é o primeiro profissional a ser consultado sobre a realização de atividades domésticas, profissionais ou de lazer que exijam levantamento de peso. Ele dirá ao paciente que atividades ele terá condições de realizar, já que o médico é o profissional que mais conhece o caso do paciente.

Às vezes há que se adaptar a rotina doméstica à nova realidade. O dispositivo implantado, seja marca-passo, CDI ou outro tipo de gerador, restabelece o ritmo cardíaco ao máximo possível do que se considera “normal” para cada paciente, mas, como já dito, há que se ter cuidado com os componentes mecânicos do sistema (cabos e eletrodos).

Minha sogra, a quem considero minha mãe, tem hoje 83 anos e possui marca-passo há dez anos, sendo o implante inicial em 2005 e a primeira troca de gerador em 2014. Eu felizmente pude assessorá-la em ambos os procedimentos e sou grato a Deus por esse milagre, pois estou seguro que sem essa bendita tecnologia ela não estaria mais entre nós. Ela é de uma geração que chamam de “faz tudo”, mas eu adicionaria o termo “e não pede ajuda a ninguém”. É de uma geração que faz o que é preciso, não o que se gosta. E por isso eu tenho grande respeito por ela. Mas, é uma criança grande…

Ao realizar uma das avaliações previamente agendadas de seu marca-passo, notou-se que o gerador realizou uma gravação de EGM (eletrograma, uma espécie de eletrocardiograma interno do gerador), apontando certa arritmia e uma variação de impedância do cabo implantado na câmara atrial em uma determinada data e horário. Ao ser perguntada sobre o que ela fazia nesta data e horário, acabou confessando que pegou QUATRO pneus que estavam na garagem de sua casa e os levantou sozinha em uma prateleira, para que pudesse lavar o quintal com balde e vassoura.

Bem, foram feitos todos os testes possíveis para avaliar as condições atuais do cabo. O raio X constatou um pequeno deslocamento e um “desenho” diferente em como o cabo “repousava” dentro do coração, pois a última imagem do raio X que se tinha era diferente da atual. Mas, por sorte ou intervenção divina, como queiram chamar, o deslocamento foi mínimo e o reposicionamento e ancoramento do eletrodo foram feitos novamente de maneira natural e manteve condições elétricas quase idênticas às obtidas em avaliações anteriores. Preferiu-se então apenas monitorar com mais atenção esse cabo ao longo dos anos.

Concluindo, para retomar as atividades cotidianas ou mesmo realizar novas atividades que eram impossíveis de serem realizadas antes do implante do gerador, sejam quais forem, é de suma importância consultar seu médico!

É possível detalhar bem mais o assunto, mas aqui neste momento a leitura se tornaria cansativa e talvez perdesse o sentido, que é o de esclarecer e informar o público. Mas não se preocupem, teremos outras oportunidades.

Por Eng. Caio Vinha – Especialista de Dispositivos Cardíacos – Profissional Aliado (Certified Cardiac Device Specialist – Allied Professional) – Heart Rhythm Society (HRS)/EUA. – Autor convidado de PACEMAKERusers

Imagem: Arquivo – Dra. Luciana Alves PhD

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