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Ministério da Saúde​: A Estimulação Cardíaca Artificial no Brasil pede socorro

A Estimulação Cardíaca Artificial no Brasil pede socorro Ministério da Saúde. Mais do que isso: VIDAS PEDEM SOCORRO

As realidades que eu vivencio liderando este projeto social me faz deparar com uma realidade triste, que põe em cheque a atenção, ou a falta de atenção do nosso Governo para as necessidades na área da Estimulação Cardíaca Artificial.

Privadamente, eu lido com situações de pacientes que esperam mais de um ano na fila para conseguir ter implantado um marca-passo, um desfibrilador cardíaco implantável ou um Ressincronizador. Infelizmente, Ministério da Saúde, pessoas estão morrendo nas filas e outras me escrevem dizendo que estão com medo de morrer, porque a ajuda pode chegar muito tarde.

“Eu tenho miocardiopatia dilatada há quase 11 anos, quase fui pra fila de transplante cardíaco (…) vc sabe me dizer quanto tempo se esperar pra implantar? (…) Eles dizem que tem muitas pessoas na minha frente bem pior que eu e tenho que esperar minha vez chegar”.

E vale ainda lembrar, Ministério da Saúde, que mesmo os pacientes implantados precisam trocar o gerador de seus dispositivos cardíacos. E que a demora também coloca vidas em risco, pois sem bateria (gerador) o dispositivo não vai estimular o coração.

Sabe qual é a realidade com a qual lido, Ministério da Saúde? Com a realidade de pessoas com a bateria do dispositivo na reserva, ou mesmo, como já ocorreu, de pessoas com baterias zeradas, em condições em que o óbito é uma realidade minuto a minuto, e isto pela falta de atenção que este Governo dá à Área da Estimulação Cardíaca Artificial no Brasil.

O Brasil está entre os países que menos investem em Estimulação Cardíaca Artificial. O Brasil se encontra entre os países com a pior taxa de implantes de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis se comparado com a Europa e países industrializados, ficando significativamente abaixo da média. Chama-se a atenção sobretudo para o baixo número de implantes de CDI, com 10 vezes menos implantes por milhão de habitantes e Ressincronizador cardíaco, com 8 vezes menos implantes por milhão de habitantes. A média de implantes de marca-passo é 4 vezes menos em relação a estes países. (Fonte: Population Reference Bureau – 2013 World Population Datasheet, EHRA White Book, 2013, dados de 2012; EUCOMED data report 2012)

Em comparação com os países latinos, a taxa de implantes é significativamente abaixo da média, sendo 2 vezes menos de marca-passos e 3 vezes menos de CDI comparada à media de implantes na América Latina. Só ganhamos de Cuba, e ficamos atrás de Porto Rico, Uruguai, Argentina e Chile. (Fonte: The 11th World Survey of Cardiac Pacing and Implantable Cardioverter-Desfibrilators. MOND GH, PROCLEMER A. PACE, Julho 2011).

Ministério da Saúde, eu e cerca de 400 mil portadores de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis, milhares de profissionais da saúde que querem salvar a vida de seus pacientes, familiares de pessoas que esperam nas filas, perguntamos: “Quando esta realidade mudará?”

Luciana Alves PhD e-Patient Advisor | Blogger at e-Patient Brazil | Member of Society for Participatory Medicine

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