Minha História

Vivendo com um neuroestimulador medular

Olá  meu  nome  é Alessandra tenho 35 anos, moro em  Pirajui, no Estado de São Paulo.

Vou  contar  um pouco  sobre  minha  vida  e como  é  viver  com o  neuroestimulador  lombar (que  é  bem semelhante  ao  marca-passo  cardíaco,  com pouca  diferença entre um e outro). O  cardíaco  estimula  o coração,  e  o lombar  os  nervos  lesionados quando  desenvolve a neuropatia  ou  dor  crônica.

Eu sou  técnica de enfermagem e trabalhei na áreada saúde desde 2004 assim que me formei. Fui trabalhar no hospital psiquiátrico com muitos pacientes acamados. Amava  por  demais  meu  trabalho  minha  profissão.

No ano  de  2012 comecei  a sentir  dores  nas  pernas  muito  fortes  e frequentes, mas  achava que  pelo  fato  de  ser  plantão  de  12hrs era normal. Neste  mesmo  ano  cheguei  realizar  uma  cirurgia  de  varizes, sem alívio  de  dor. Continuei  trabalhando  até  março  de 2013.

Sentia tmuita  dor  formigamento e cansaço nas pernas, porém tomava vários analgésicos e ia para o trabalho,  até  que  após  um plantão  eu  travei. Tinha  dores  mais  intensas e  insuportáveis. Marquei com o ortopedista  que  solicitou  um RX e Ressonância Magnética  da coluna  lombar. Ele me passou  umas  medicações  que  só  aliviavam a dor. Os  exames  de  imagens   realizados mostrava 3 hérnias  de  disco extrusa comprimindo a medula espinhal e estenose (o estreitamento do canal vertebralna região lombar) de  canal lombar. O Caso era cirúrgico com urgência, os médicos diziam que ficaria paraplégica em pouco tempo.

Fui  avaliada  por 4 neurocirurgiões, e apenas  um  deu  a negativa  para a  cirurgia. Fiz vários tratamento com remédio fisioterapia e bloqueio de faceta (facetas são pequenas articulações posteriores em cada vértebra) sem sucesso. Em 4 de setembro  de 2013 fiz a artrodese, artrodese da coluna lombar (consiste em uma cirurgia que visa conectar permanentemente 2 ou mais vértebras da coluna) e laminectomia (remoção de osso para aliviar o excesso de pressão sobre o nervo espinhal na coluna lombar) coloquei 8 parafusos, 2 cages de cerâmica (implante de uma peça que substitui o disco da colua), 2 barras de titânio, e enxerto ósseo.

As  dores  que  antes eu sentia  se  foram, e de  início  parecia  estar  curada. Porém  após  3 meses, na fisioterapia, as  dores foram voltando. Meu médico passou  novas  medicações  sem sucesso,  eu  ficava  dopada e as  dores  permaneciam. Fui diagnosticada com neuropatia crônica em 7 de julho de 2014 e foi então  que realizei  o implante  do  neuroestimulador lombar.

Fiz  o teste no hospital. Comecei no dia 2 de julho e como a resposta foi positiva com alívio da dor, no dia 7 de julho já  estava  com o aparelho implantado e ali começava  uma  nova  etapa  da  minha  vida.

Imagem 1 - Aparelho no período de teste para avaliar se o neuroestimulador aliviaria a dor a ponto de compensar realizar o implante definitivo.

Imagem 1 – Aparelho no período de teste para avaliar se o neuroestimulador aliviaria a dor a ponto de compensar realizar o implante definitivo.

O aparelho  me  deu  uma  qualidade  de vida  de  70%, pois as  dores  eram tão insuportáveis  que  cheguei  a usar  morfina. Hoje  tomo  penas  remédio para  dormir, um antidepressivo, e analgésicos  quando  tenho  uma  crise  de  dor mais  intensa.

Para  todas as pessoas  que  vão  ler  minha  história  apenas digo: não perca  a fé a esperança jamais. Acredite e confie  sempre  na  cura, se  entregue a Deus ou aquilo que te der forças  para  seguir a vida independente  de  qualquer  religião  e siga  em frente.

Eu sofri muito, não  foi  fácil, e não  é.  Cada dia é dia de uma superação. Interromper meu trabalho, já que amava minha  profissão e meus pacientes. Tinha  muitos planos  e  sonhos  que  foram  interrompidos. Mas  mesmo  assim  hoje  com limitações e afastada  do  trabalho eu  agradeço  por  poder caminhar  mesmo  que  devagar  as  vezes  mancar um pouco, mas  ainda  consigo caminhar, e fazer  algumas  coisas  conforme  minha  limitação. Já não  faço uso  das  medicações  controladas que  antes usava o que me faiza ficar dopada e passar  mal  com os  efeitos  colaterais.

Apesar  de  tudo  agradeço  por  cada  momento  da  minha  vida. Que  Deus  esteja  sempre  com  cada  um  de  nós  dando  força,  coragem, e  fé  para  suportar  o que  por  ventura  surgir  em nossa  vida. Um grande  abraço  a todos  e  obrigado  de  poder  falar dividir  um pouco  sobre  minha  vida.

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