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O uso da Terapia de Ressincronização Cardíaca no tratamento da insuficiência cardíaca

A insuficiência cardíaca (IC) é uma doença progressiva, causada por disfunção ventricular (perda da capacidade do ventrículo em manter as atividades normalmente ou precisar fazê-lo à custa de um esforço maior), que leva à queda da tolerância ao exercício, piora da qualidade e redução da expectativa de vida. Hoje, nos Estados Unidos, existem aproximadamente 5 milhões de pacientes com IC e, no Brasil, ocorrem, de maneira estimada, 250 mil casos novos por ano. Apesar dos avanços no tratamento clínico, a insuficiência cardíaca permanece tendo significativa morbimortalidade, sendo que a mortalidade anual chega a atingir 60% nos pacientes em Classe Funcional IV.

Pacientes em fases menos avançadas de IC apresentam predominantemente morte súbita por arritmia ventricular, e aqueles com doença mais avançada morrem por falência cardíaca progressiva. Não é, porém, desprezível a proporção destes pacientes que apresentam morte súbita. A progressão da doença com frequência leva a alterações da condução elétrica intracardíaca, evoluindo com distúrbios de condução atrioventriculares, intraventriculares ou mesmo interventriculares. Esses retardos de condução ventricular têm sido considerados secundários à dilatação cardíaca e levam à piora do prognóstico.

O tratamento farmacológico da IC não modifica os referidos distúrbios de condução, que seguirão afetando a eficiência da contração miocárdica mesmo após a otimização do tratamento clínico. Por esta razão, foi proposta a chamada ressincronização cardíaca como terapia adjuvante nos pacientes com IC e distúrbios da condução. A terapia de ressincronização cardíaca (TRC) objetiva oferecer melhora hemodinâmica, melhora na qualidade de vida, na capacidade de exercício e na sobrevida dos pacientes com IC. O ressincronizador cardíaco nada mais é do que um dispositivo de estimulação cardíaca artificial que estimula átrio direito, ventrículo direito e ventrículo esquerdo, visando harmonizar a contração cardíaca. Pode ter função de desfibrilador (TRC-D) quando pacientes com alto risco para morte súbita arrítmica ou sem essa função (TRC-P).

São fortes as evidências que suportam o uso da ressincronização como tratamento para pacientes com insuficiência cardíaca (IC) moderada a severa por disfunção sistólica e dissincronia ventricular. Resultados de estudos hemodinâmicos, coortes observacionais e ensaios clínicos randomizados têm demonstrado, de forma consistente, melhora na qualidade de vida, classe funcional e capacidade de exercício em pacientes em classe III-IV da New York Heart Association (NYHA) alocados para receber ressincronização. Nestes pacientes também ocorreu melhora estrutural e funcional, com redução concomitante do risco de progressão da doença. Estudos mais recentes demonstram efeito benéfico da ressincronização cardíaca em desfechos clínicos significativos, como mortalidade cardiovascular e global. Baseadas nestes estudos, as últimas diretrizes nacionais e internacionais incluíram a ressincronização cardíaca como indicação Classe I em pacientes elegíveis.

Dra. Cláudia da Silva Fragata CRM-SP 98985 – Autora convidada de PACEMAKERusers

Imagem: Ressincronizador -Deca

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