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Breve história do cardioversor desfibrilador implantável

Portadores de cardioversor desfibrilador implantável (CDI) devem conhecer um personagem que faz parte da história da evolução dos dispositivos cardíacos implantáveis e lançou um olhar atento para o problema da morte súbita.

Dr. Michel Mirowski era um cardiologista Polonês, e foi pioneiro em reconhecer que a morte súbita se tratava de um problema de Saúde Pública.

Na década de 1970 seu empenho para mudar este cenário resultou no desenvolvimento do CDI, dispositivo médico implantável que revolucionou a forma de tratar a parada cardíaca de forma súbita e prevenir o evento.

Em 1968 Mirowski foi trabalhar no Sinai Hospital em Baltimore, onde se tornou o diretor da unidade coronariana do hospital e onde se dedicou à pesquisa junto com profissionais da engenharia biomédica, e uma equipe de pesquisa em modelo animal.

Em julho de 1969 Mirowski uniu-se a Morton Mower, um cardiologista com ampla experiência em pesquisa animal, e eles começaram a  trabalhar em um CDI em julho de 1969. O primeiro protótipo ficou pronto apenas um mês depois do início dos trabalhos, e foi testado em um cão.

Em 1970 Mirowski e Mower conseguiram o apoio de uma grande empresa de marca-passo, que depois de 2 anos decidiu que não havia mercado para comercialização do dispositivo.

Em 1972 Mirowski conheceu Stephen Heilman, médico e engenheiro que tinha uma pequena empresa de equipamentos médicos chamado Medrad. Heilman imediatamente abraçou o trabalho de Mirowski e Mower colocou seus engenheiros à disposição deles.

Em 1975 produziu-se o primeiro protótipo de CDI pequeno o suficiente para ser totalmente implantado em um cão. Após ajustes no protótipo para implante em humanos, Mirowski e o grupo na Medrad conseguiram a aprovação Food and Drug Administration (FDA), que é o órgão governamental dos Estados Unidos da América responsável pelo controle de equipamentos médicos, entre outros.

Em 1980 Mirowski e Mower, em colaboração com cirurgião cardíaco Myron Weisfeldt e o eletrofisiologista Philip Reed, realizaram o primeiro implante humano bem-sucedido de um CDI no Johns Hopkins Hospital.

O CDI pesava 225g e exigiu que fosse realizada uma toracotomia (cirurgia de peito aberto) para a implantar os patches de eletrodos. Naquela época o CDI só era capaz de realizar a desfibrilação.

Nos anos seguintes vários avanços nos CDIs foram feitos, e contou com a participação direta de Mirowski e Mower em muitos destes avanços, incluindo a capacidade do dispositivo realizar cardioversão sincronizada para taquicardia ventricular.

No final da década de 1980, assim como o marca-passo, o CDI pôde ser implantado sem a necessidade de abrir o peito do paciente (toracotomia).

Ao contrário dos primeiros protótipos de CDIs, os dispositivos modernos, já em 2010, eram muito menores e pesavam apenas 90 gramas se diferenciando ainda por ter também a função de marca-passo.

Os CDIs também estão disponíveis com estimulação biventricular, para terapia de ressincronização cardíaca, indicados para alguns pacientes com insuficiência cardíaca avançada.

Em 2014 A Bonston Scientific apresentou o primeiro implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI) subcutâneo. Com um eletrodo também feito especialmente para este tipo de implante, a nova técnica permite que o implante dos cabos não seja realizado passando por dentro das veias como habitualmente ocorre. Mais segurança para o paciente e facilitação na necessidade de se trocar os cabos.

Ainda em 2014 a Medtronic apresentou um CDI com um design diferente, o design “PhysioCurve”. Seu formato anatômico diminui o atrito entre a pele e as bordas do dispositivo em pontos estratégicos permitindo um maior conforto para o paciente.

A empresa Biotronik também apresentou novidades e apresentou o IDOVA 7, um CDI que se diferencia pelo seu tamanho, pela maior durabilidade da bateria, e intensidade do choque.

A empresa St. Jude Medical também disponibiliza o Unify Quadra CRT-D e o eletrodo para seio coronário Quartet™ que se caracteriza entre outras coisas por ter tamanho reduzido, e uma maior intensidade do choque.

Em 1990 Mirowski morreu, mas marcou de forma indelével seu nome na história e certamente no coração de milhares de pessoas em todo o mundo.

Por Dra. Luciana Alves PhD – Fundadora e Líder de PACEMAKERusers – Portadora de marca-passo cardíaco

Referência: Marc W. Deyell, MD, FRCPC, Stanley Tung, MD, FRCPC, Andrew Ignaszewski, MD, FRCPC. The implantable cardioverter-defibrillator: From Mirowski to its current use. BCMJ, Vol. 52, No. 5, June, 2010, page(s) 248 — Articles.

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