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Portadores de marca-passo: a quilômetros de distância de uma vida pacata e parada

E lá estão os portadores de marca-passo e outros dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis (DCEI) … a quilômetros de distância de uma vida pacata e parada!

Habitualmente quando um portador de marca-passo diz que pratica atividade física, a reação é de muitos é de espanto, e em outro momento de admiração. Mas como isto é possível?

Sim. A prática de atividade física é possível pois os dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis carregam consigo tecnologias que além de colocar o coração no ritmo, também podem ser programados para ter uma resposta de frequência cardíaca que permita a prática de atividades físicas, entre outras atividades de vida diária. Mas como isto funciona?

Quando se leva um susto, ou quando se corre, ou sobe-se uma escada, o coração aumenta naturalmente o número de batidas, ou seja, a frequência cardíaca se eleva. Esta é a resposta natural do coração frente a estes exemplos. Já o coração de portadores de marca-passo e outros tipos de DCEI precisam de ajuda para fazer com que esta resposta ocorra e a frequência cardíaca seja adequada à situação vivenciada. E isto é possível pela programação feita no dispositivo. Somada a esta programação feita pelo médico do paciente, também devem-se seguir as recomendações médicas sobre o tipo de atividade que o paciente pode realizar.

Em todos os casos, para portadores ou não de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis é importante que se esteja atento para as limitações individuais e que a prática de atividades físicas seja realizada após avaliação médica, e sempre orientada por um profissional da área.

No Brasil e no mundo milhares de portadores destes dispositivos praticam atividades como caminhadas, corridas, natação, ciclismo, musculação, crossfit entre outras.

Conheça alguns deles

Caio Mota Valença Ferreira, 37 anos, de Recife – PE, é portador de cardiodesfibrilador implantável (CDI) desde 2008.

Caio é praticante de corrida, ciclismo, e musculação. Sua meta para 2015? O Triathlon.

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Caio Mota Valença Ferreira, 37 anos, de Recife – PE

Rositta Silveira, 45 anos, de Salto – interior de São Paulo, Portadora de MP desde 2009.
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Rositta Silveira, 45 anos, de Salto – SP

Ela nos relata:

Minha vontade de me movimentar vem de tempos em que eu nem era portadora de marca-passo, e nem me imaginava que ficaria dependente dele.

Acabo de completar 45 anos e olhando pra trás, me vem a palavra “milagre”. Quando pequena, sofria de asma, e não sei bem como superei isso.

Sou Casada há 11 anos e tive dois abortos por problemas circulatórios que me impediram levar adiante as gestações. Frustrada, procurei algo para superar a dor das perdas, e decidi que se tivesse filhos, seria por adoção – hoje tenho 3 filhos.

Naquela época, via amigos treinando corrida e participado de competições. Tive o estalo: é isso. Procurei um cardiologista amigo que treinava em uma equipe de futebol, e falei dos meus planos. Após alguns exames, ele me explicou sobre as ligações entre as perdas das gestações e sobre os resultados dos exames. Nunca imaginei que sofria muitas pequenas paradas cardíacas durante o sono ou momentos de descanso, mas não pensava nisso, eu estava certa de que ele me liberaria em breve para correr, correr, correr. Além de me impedir, ainda me jogou um balde de água fria, com a noticia que que eu sofria de BAVT e que muito em breve, teria que implantar um marca-passo. Entendo que “muito em breve”, pra ele, equivaleria a uns 15 anos, pra mim.

Confesso que até então eu tinha o pensamento de que “marca-passo é coisa de idoso”.

O primeiro implante foi em 2009 e me senti muito frustrada.

Odiava “aquilo” que me fazia diferente das outras pessoas e que causava tanta curiosidade das pessoas. Em 2014, minha odiada maquininha precisou ser substituída, e de tanto passar mal, desmaiar, ficar sem comer, cansar à toa, comecei a acreditar nessa tecnologia que prometia mudar minha vida, trazendo qualidade.

Mudei de médico, dessa vez um especialista do Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (DECA), além de jovem, bonito, falava pouco, mas me tranquilizava e me fez gostar da idéia de que mesmo com marca-passo, eu poderia ser o que eu quisesse, e fazer o que eu quisesse. Parar de passar mal e desmaiar após as refeições.

Pouco tempo após a cirurgia já voltei a brilhar, sentia prazer em andar, caminhava todos os dias, aumentando sempre um quarteirão por dia ao meu percurso. Hoje, seis meses depois do novo marca-passo, tenho muita disposição, já consigo contar meus 5Km de caminhada e 2 km de corrida leve.

A disposição é incrível, e cada meta vencida tem um sabor muito especial. Tenho mais disposição, me sinto bonita, tenho vontade de me cuidar. Percebo que respiro melhor, meu sono tem melhorado muito, sem contar o humor, a disposição e até os relacionamentos.

Família e amigos percebem que estou menos irritada, mais alto astral, mais leve, mais feliz! E como superação tem o melhor sabor do mundo, agora irei deixar o medo de lado e aprender a nadar! Liberada pelo médico, sempre!

Ser portador de marca-passo não nos impede de viver bem, exercitar e ser feliz, com muita qualidade de vida!

Eu amo meu amigo Biônico!

Gilberto Giba de Mello, ou somente Giba, tem 74 anos, de Juiz de Fora – MG, é pilateiro (pratica Pilates) e maratonista.
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Gilberto Giba de Mello, ou somente Giba, tem 74 anos, de Juiz de Fora – MG

Ele nos relata:

Participo de corridas de rua acerca de 30 anos, com centenas de meias maratonas e 21 maratonas. A última em Porto Alegre no mês de abril de 2014.

Minha semana começa assim: segunda; quarta, pilates. Terça, quinta, sábado; de 15km e domingo corrida de rua. Implantei marca-passo em 2001, depois de ter participado de uma maratona no Rio de Janeiro e ter passado mal dias depois. Já é o meu segundo marca-passo, o anterior durou 6 anos e 6 meses. O atual está durando mais que o outro.

Para mim, a vida continua normalmente, sem medos sem restrições de nada. Estou contando isso, mais como uma maneira de quem ler e tem medo de viver radicalmente, esqueça que tem marca-passo e viva a vida normalmente, sem restrições.
Marca-passo é implantado no peito, não deixe de viver bem, com qualidade de vida por ter medo. Tem pessoas que parece ter implantado o marca-passo na cabeça e deixa de viver uma vida plena”.

Luciana Alves 40 anos, de Belo Horizonte – MG, Fundadora e Líder de PACEMAKERusers. Sim, eu também pratico corrida, musculação e me aventuro a alguns treinos de Crossfit. Portadora de marca-passo desde 2012, sempre gostei de praticar algum tipo de atividade física.

O implante do marca-passo foi uma incógnita inicial para a possibilidade de continuar praticando. Mas a verdade é que nada mudou depois do implante do marca-passo, ou melhor, mudou sim, para melhor. Depois de quase 8 anos com uma arritmia de difícil controle, com vários tratamentos ou procedimentos de diferentes níveis de complexidade, o marca-passo foi a solução. Nos últimos 2 anos antes do implante do marca-passo a prática de atividades físicas se tornou muito limitada. Com o marca-passo tudo mudou.

Só neste ano de 2014 eu corri mais de 1800 km. Faço parte de uma comunidade internacional de corredores e meu aplicativo Nike + Running é meu companheiro inseparável nas corridas.

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Luciana Alves 40 anos, de Belo Horizonte – MG

Os especialistas cada dia mais se deparam com a crescente demanda de portadores de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis, que praticam atividade física, e que pedem orientações e discutem sobre a melhor programação de seus dispositivos para um melhor desempenho.

Por Drª. Luciana Alves PhD – Fundadora e Líder de PACEMAKERusers – Portadora de marca-passo cardíaco

IMPORTANTE: Não pratique atividades físicas sem orientação de um profissional da saúde.
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