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Síndrome de Brugada: “que bicho é esse?”

Até trinta anos atrás (e até hoje em dia ouvimos isso algumas vezes), quando uma pessoa jovem morria subitamente, logo diziam que ela tinha sofrido um “infarto fulminante”.

Com o avanço das pesquisas genéticas, percebeu-se que muitos desses eventos eram provocados por anormalidades genéticas (alterações no DNA do indivíduo, nos seus genes, que cursam com arritmias cardíacas graves). Com essa informação, novas doenças causadoras de morte súbita foram descobertas, dentre elas a Síndrome de Brugada.

A Síndrome de Brugada foi descrita primeiramente do modo como a conhecemos hoje pelos irmãos Pedro e Josep Brugada em 1992, mas em 1989 eles já publicavam um artigo científico em que chamavam a atenção da ocorrência espontânea de fibrilação ventricular (arritmia fatal) em homens jovens, sem doença cardíaca estrutural.

Essa doença se caracteriza basicamente por alterações nos canais iônicos das células do coração, mais especificamente nos canais de sódio, que causam alterações na condução dos impulsos elétricos que levam a arritmias que são potencialmente fatais. O eletrocardiograma de repouso destes indivíduos apresenta alterações bem específicas.

Os portadores de Síndrome de Brugada podem ser assintomáticos e apresentarem apenas a alteração eletrocardiográfica, mas também podem se queixar de episódios de síncope (desmaios) e/ou com frequência familiares relatam que eles apresentam episódios de respiração agônica noturna (“parece que ele está se afogando”). Atinge mais frequentemente homens do que mulheres, numa proporção aproximada de 5:1.

Não há tratamento medicamentoso específico para esta doença, sendo indicado muitas vezes o implante do Cardioversor Desfibrilador Implantável (CDI) para prevenção de morte súbita nestes indivíduos.

Por Dra. Cláudia da Silva Fragata – CRM-SP 98985 – Autora convidada de PACEMAKERusers

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