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Quem escolhe o tipo de dispositivo a ser implantado? Médico ou Plano de Saúde?

Com a evolução tecnológica, os novos marca-passos estão permitindo a realização de exames ressonância magnética, que até pouco tempo atrás, era um limitador para alguns portadores de marca-passo e/ou cardiodesfibrilador. E atualmente para a maioria dos já implantados.

O grande problema deste tipo de exame para portadores de dispositivos cardíacos com esta limitação, é que a ressonância utiliza um campo magnético sobre o dispositivo, que o atrai e pode gerar calor ou causar mal ao mesmo.

Estava lendo um comentário que um portadora de marca-passo fez em um post, onde se falava sobre  o assunto, e C.L.E , uma portadora de marca-passo prestes a trocar seu dispositivo cardíaco, se manifestou da seguinte forma:

“Que benção poder colocar um marca-passo de ultima geração, eu dependo do meu plano, e nem sei qual que colocarei na troca da bateria que será logo”.

Dois aspectos devem ser considerados aqui. O primeiro é a questão da observação sobre o plano de saúde. Nossa consultora Jurídica, a Drª. Rafaela Borensztein, esclarece que o plano de saúde não interfere no tipo de dispositivo a ser implantado, muito embora na maioria do casos opta pelo menos oneroso. Vale ressaltar que cabe ao médico responsável solicitar ao mesmo. Para se ter uma ideia, a maioria dos Tribunais já possui súmulas a respeito do tema e a título exemplificativo, a súmula n. 211 do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) diz que “havendo divergência entre o seguro saúde contratado e o profissional responsável pelo procedimento cirúrgico, quanto à técnica e ao material a serem empregados, a escolha cabe ao médico incumbido de sua realização”. E é um entendimento já consolidado pelo TJRJ que outros estados podem utilizar esta súmula como parâmetro.

Dito isto, vamos abordar um segundo aspecto, que diz respeito ao paciente procurar conversar com seu médico sobre todas as suas dúvidas, incluindo esta: “o meu novo marca-passo é compatível com ressonância magnética?”.

É importante ressaltar que dispositivos compatíveis com ressonância magnética exigem que cabos e eletrodos sejam igualmente compatíveis. Por isso, um paciente com um cabo e eletrodos não compatíveis podem ainda ter restrições mesmo que o gerador de pulsos seja compatível.

Se você está se perguntando porque, ao trocar o dispositivo, o médico não troca tudo então, já que há uma nova tecnologia disponível, é importante que se saiba que a retirada dos eletrodos seja quais forem,  atualmente é realizada em casos onde o mesmo esteja associado, principalmente a algum tipo de infecção. É  uma cirurgia mais delicada do que a simples troca do gerador de pulsos e por isso o médico sempre avalia o risco de submeter o paciente a este tipo de situação.

Converse sempre com seu médico, ele saberá lhe prestar todas as informações necessárias e responder suas dúvidas.

Por Drª. Luciana Alves PhD – Fundadora e Líder de PACEMAKERusers – Portadora de marca-passo cardíaco

Revisores Técnicos:

Rafaela Borensztein  – OAB/RJ nº 151.075 – Consultora Jurídica de PACEMAKERusers

Dra. Cláudia da Silva Fragata – CRM-SP 98985 – Autora convidada de PACEMAKERusers

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