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FEBRABAN: por um melhor acesso do portador de marca-passo

Não é raro que algumas instituições bancárias figurem, entre portadores de dispositivos cardíacos implantáveis, como ambientes nos quais têm algum tipo de problema de acesso.

No final do ano passado PACEMAKERusers entrou em contato com a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) para procurar entender as condutas de abordagem ao

portador e seu acesso à instituição bancária. O setor de Regulação muito atenciosamente iniciou uma atividade interna que, está em andamento, tanto para levantar os procedimentos de cada instituição bancária, assim como também relativo às portas giratórias, já que alguns bancos afirmam que a tecnologia de suas portas não interferem em dispositivos cardíacos implantáveis.

Entretanto como os profissionais da saúde recomendam que o portador não passe pelas mesmas e que utilize a porta de acesso lateral, isto também tem sido foco de problemas quando o portador é abordado no banco e convidado a passar pela porta giratória. O que na prática vai contra a recomendação médica. Para ter direito ao acesso à porta lateral o portador deve apresentar a Carteira de Identidade e sua carteira de portador. O mesmo pode ainda ser solicitado a mostrar o conteúdo de bolsas e sacolas.

Ainda que haja aqueles que defendem que os marca-passos atuais não estão mais suscetíveis à interferência ao passar rapidamente por estas portas, a recomendação médica é soberana e os portadores devem seguir à risca as mesmas para sua segurança.

Recentemente houve o caso de um aposentado portador de marca-passo, foi impedido de entrar em uma agência bancária do Espírito Santo. Sua entrada só se deu após a chegada da polícia (Acesse aqui a matéria). O Procon-ES pronunciou que este se configurava um caso de constrangimento ao consumidor em condições especiais.

Ainda recentemente, outro portador também foi constrangido em uma agência bancária no Rio de Janeiro, e também teve problemas para acessar uma agência do Banco do Brasil. A filha do usuário de um marcapasso nos relatou:

“Fui fazer uma transferência para a conta do meu pai e ingressamos junto ao banco. Eu entrei pela porta giratória e ele ficou aguardando alguém abrir a porta para ele. Os guardas foram muito educados, mas informaram que não possuíam as chaves, apenas os gerentes daquele banco. Todos os gerentes estavam atendendo. A que estava mais próxima a mim, a de nome X, estava atendendo, conforme informei. Pedi desculpas pela interrupção e solicitei gentilmente que ela abrisse a porta tendo em vista que meu pai aguardava do outro lado por ser portador de marca-passo. A tal gerente foi extremamente grosseira, dizendo em alto tom que não abriria a porta, pois estava atendendo e que ele devia esperar. A pessoa que estava sendo atendida por essa gerente não se incomodou em ela abrir a porta, mas ela mesmo assim não abriu. Aguardamos mais um pouco e nada. Até que o guarda que estava lá, acompanhando tudo, talvez por pena, solicitou novamente a esta mesma gerente que abrisse a porta e sua resposta foi ainda mais grosseira, talvez até pela hierarquia. Um absurdo! Então, procurei uma outra gerente, de nome Y, mais distante, que também estava atendendo, porém foi extremamente educada e solicita. Se para mim foi constrangedor, imagina para o meu pai!? Então efetuei uma reclamação na Ouvidoria do Banco do Brasil (0800 729 0722) e recebi um número de protocolo. No prazo acordado, recebi um retorno do Banco pedindo desculpas e informando que o Banco em questão havia sido notificado e que a funcionária receberia uma nova orientação. Não sei se de fato isso realmente ocorreu”. (Rafaela Borensztein)

No dia 11 de julho de 2014, PACEMAKERusers entrou em contato novamente com a FEBRABAN para verificar como estava o processo interno iniciado no final do ano passado. O responsável pelo setor de Regulação, informou que o processo está em andamento. Também lhe informei e enviei o relato acima, e ao manifestar a preocupação da filha do usuário de marca-passo sobre se a funcionária realmente seria reorientada, fui informada que o Banco do Brasil é uma agência que leva com seriedade este tipo de denúncia e que certamente o informado a esta consumidora de fato se daria. Além disso, a FEBRABAN também entraria em contato com a Ouvidoria do Banco, por meio de seus contatos diretos para conversar a este respeito.

Com a parceria com a FEBRABAN esperamos em breve poder fazer com que problemas de acesso aos bancos não façam parte mais da vida de portadores de dispositivos cardíacos implantáveis.

Se você ou algum portador conhecido sofrer algum tipo de constrangimento em agências bancárias brasileiras, faça sempre uma queixa na Ouvidoria do Banco e nos envie para que possamos fazer chegar à FEBRABAN.

Dr. Luciana Alves PhD e-Patiente Adviser | Fundadora e Blogger no PACEMAKERusers |President/CEO no Clube do Marcapasso (Organização Não Governamental)

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