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Marca-passo: programação noturna, ou night rate, ou sleep rate

Os marca-passos, como já se sabe, possuem uma infinidade de programações para que se otimize a bateria e também a qualidade de vida do portador. Para isso, é necessário programar o aparelho de tal forma que ele “gerencie” por assim dizer, os batimentos cardíacos do paciente que o possui, então, é programada uma frequência, e é com base nesta frequência que o dispositivo manda impulsos elétricos para o músculo cardíaco, mantendo uma frequência mínima e básica necessária para a realização

das atividades do dia a dia. Porém, todos nós temos uma queda na frequência de nossos batimentos cardíacos durante o sono, e é sobre essa possibilidade de programação que iremos falar agora.

A programação noturna, ou night rate, ou sleep rate (os nomes variam, mas a função é a mesma) é a possibilidade de uma programação que reduz a frequência de estimulação durante o sono, mimetizando a fisiologia do ciclo cicardiano (que é aquele ciclo biológico dos seres vivos, onde todos nós regulamos nossas funções através da variação de luz e temperatura entre o dia e a noite). Logo, um paciente que é dependente do marca-passo, e possui sua frequência programada em 70 estímulos por minuto, poderá ter seu dispositivo programado em uma frequência menor durante o sono, para que sejam respeitados seus ciclos de vigília e sono REM (aquele mais profundo, onde sonhamos).

Para isso é necessária uma anamnese detalhada do paciente, para que seja determinado com precisão os horários em que a frequência deverá diminuir (ao anoitecer) e aumentar (só amanhecer) para que não haja nenhum tipo de desconforto devido a baixa frequência de batimentos.

Importante salientar também, que pacientes que possuem este tipo de programação devem ser informados da mesma, para que em caso de mudança de rotina, ou até mesmo uma viagem a algum lugar que haja mudança de fuso horário, possa avisar ao médico, que deverá, na próxima telemetria alterar o horário, ou até mesmo desligar a programação.

Muito se pergunta se este tipo de programa aumenta a longevidade da bateria. Um estudo realizado no ano de 2004, revela que há um ganho sim, porém, não muito significativo, seus resultados apontam apenas 2,2 meses a mais do que pacientes que não possuem esta programação, já que outros fatores devem ser considerados quando temos a necessidade de otimizar a vida útil do gerador.

O mesmo estudo, porém, mostra que a qualidade do sono dos pacientes submetidos a este tipo de programação é significativamente melhor, apesar de estatisticamente seja um dado difícil de mensurar pois é altamente subjetivo.

Vale lembrar que sempre vale uma conversa aberta com seu médico para que ele possa sugerir uma otimização do seu aparelho, garantindo uma qualidade de vida semelhante ou até melhor do que antes de você implantar o marca-passo.

Por Luiza Pitol de Medeiros Valdigem – Biomédica Autora convidada de PACEMAKERusers

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