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O Fantasma da morte súbita: o que é, suas causas e desafios

Morte Súbita, por definição, é toda a morte que ocorre inesperadamente, sem sintomas prévios ou quando o óbito ocorre até uma hora (ou nas primeiras 24h) após o início dos sintomas. Sua incidência é imprecisa e raramente ocorrem sinais de alerta que permitem preveni-la e as causas também são muitas. É um evento que também tem impacto sócio-econômico importante, pois pode acometer indivíduos em pleno vigor de suas atividades profissionais e pessoais, com planos e sonhos interrompidos.

Pode ser provocada por arritmias cardíacas que levam a uma significativa queda da função cardíaca que leva a uma pressão sanguínea cerebral extremamente baixa, diminuído a perfusão e a oxigenação do cérebro (anóxia), com posterior morte cerebral. São causadas geralmente por taquicardias ventriculares e fibrilação ventricular e mais raramente por assistolia (ausência de atividade elétrica e mecânica no coração).

Causas frequentes são também os acidentes vasculares cerebrais graves tanto embólicos como hemorrágicos. A doença coronariana aguda (infarto) é responsável por cerca de três quartos das mortes súbitas em indivíduos acima dos 40 anos.

Alguns fatores que alertam para um risco potencial maior de morte súbita são: ocorrência de tonturas ou perda de consciência durante exercício, história familiar de morte súbita, dor torácica durante esforço com palpitações associadas e eletrocardiograma (ECG) anormal.

É mais frequente às primeiras horas do dia, sobretudo quando o indivíduo se levanta para dar início às suas atividades habituais. Esta passagem do repouso do sono para a primeira atividade matinal é crítica nos que possuem uma cardiopatia prévia. As arritmias cardíacas são frequentes nesse momento do dia, assim como os infartos e os acidentes vasculares cerebrais.

A morte súbita em lactentes é mais comum nos primeiros três meses de vida, e não se conhecem exatamente as causas. Depois dos seis meses, a morte súbita em crianças se torna mais rara.

No adulto jovem, relaciona-se muitas vezes com determinadas situações patológicas por muitas vezes desconhecidas na pessoa previamente como Taquicardia Ventricular Polimórfica Catecolaminérgica, síndrome do QT longo, síndrome do QT curto ou síndrome de Brugada, hemorragia cerebral (geralmente por aneurismas congênitos que se rompem) e arritmias com frequências ventriculares extremamente altas, tal como pode acontecer em portadores de síndrome de Wolff-Parkinson-White. Outra causa de morte súbita frequente principalmente em atletas é a Miocardiopatia Hipertrófica e em menor número a Cardiopatia Arritmogênica de Ventrículo Direito.

Análise cuidadosa do histórico clínico, familiar, eletrocardiograma, teste de esforço e ecocardiograma são fundamentais na prevenção. Entretanto existem situações em que a morte súbita não está ligada a doenças do coração e a prevenção abrange outros métodos.

Há casos, felizmente, em que se consegue detectar e reverter a arritmia ventricular causadora da morte súbita a tempo e há então indicação do implante de CDI (Cardioversor Desfibrilador Implantável) para prevenção secundária. Existem também indicações precisas de implante de CDI para prevenção primária naqueles de risco elevado para morte súbita por arritmia (mesmo que assintomáticos).

Por Drª. Claudia da Silva Fragata – CRM/SP 98985 – Autora convidada de PACEMAKERusers

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