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Direção veicular em portadores de dispositivos cardíacos

A Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), juntamente ao Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (Deca) e a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) publicaram um conjunto de recomendações consensuadas relacionadas à condução veicular a fim de orientar condutores brasileiros e seus médicos, baseada no tipo de dispositvo implantado e tipo de veículo.

Recomendações para direção veicular nos portadores de marca-passos (MP)

Quadro1. Recomendações para direção veicular nos portadores de MP.

MARCA-PASSO Restrição para direção privada
(condutor que não exerce atividade
remunerada ao veículo)
ACC, A, B
Restrição para direção profissional
(condutor que exerce atividade remunerada
ao veículo)
ACC, A, B, C, D, E
Implante 2 semanas 4 semanas
Troca de gerador 1 semana 2 semanas
Troca de eletrodo 2 semanas 4 semanas

Às recomendações acima deve-se observar:

– Nenhum prejuízo no nível de consciência após implante
– Captura e sensibilidade normais ao eletrocardiograma
– Nenhuma evidência de mau funcionamento do sistema
– Controles clínico e eletrônico regulares

Recomendações para direção veicular nos portadores de cardiodesfibriladores (CDI)

Portadores de CDI estão mais sujeitos a riscos do que portadore de MP convencionais pelo risco de permanente de incapacidade súbita, tornando a discussão mais complexa. Este risco se deve mais em função da doença subjacente, e não somente ao dipositivo de CDI. A maior parte dos portadores de CDI apresentam cardiomiopatia com disfunção ventricular esquerda e sinais e sintomas de insuficiência cardíaca. O risco de uma arritmia mais grave também é maior.

Quadro 2. Recomendações para direção veicular nos portadores de Ressincronizador

RESSINCRONIZADOR Restrição para direção privada
(condutor que não exerce atividade
remunerada ao veículo)
ACC, A, B
Restrição para direção profissional
(condutor que exerce atividade remunerada
ao veículo)
ACC, A, B, C, D, E
Implante 3 meses Permanente*
Troca de gerador 1 semana Permanente*
Troca de eletrodo 4 semanas Permanente*

Às recomendações acima deve-se observar:

– Nenhum prejuízo no nível de consciência após implante
– Captura e sensibilidade normais ao eletrocardiograma
– Nenhuma evidência de mau funcionamento do sistema
– Controles clínico e eletrônico regulares

*exceto para o hiper-respondedor (igual à direção privada)

Quadro 3. Recomendações para direção veicular nos portadores de CDI.

CARDIODESFIBRILADOR E CDI+

RESSINCRONIZADOR

Restrição para direção privada
(condutor que não exerce atividade
remunerada ao veículo)
ACC, A, B
Restrição para direção profissional
(condutor que exerce atividade remunerada
ao veículo)
ACC, A, B, C, D, E
 Implante prevenção 1a  4 semanas  Permanente
 Implante prevenção 2a  3 meses  Permanente
 Após terapia apropriada  3 meses  Permanente
Após terapia inapropriada Até que medidas de prevenção sejamtomadas

quanto à terapia inadequada;

Ou: Até que medidas terapêuticas adequadas sejam tomadas

Permanente
Troca de gerador 1 semana Permanente
Troca de eletrodo 4 semanas Permanente
Pacientes que se recusaram ao

implante por prevenção 1a

Nenhuma restrição Permanente
Pacientes que se recusaram ao

implante por prevenção 2a

6 meses Permanente

Às recomendações acima deve-se observar:

– Nenhum prejuízo no nível de consciência após implante
– Captura e sensibilidade normais ao eletrocardiograma
– Nenhuma evidência de mau funcionamento do sistema
– Controles clínico e eletrônico regulares

O documento ainda tráz recomendações para pessoas com diversos tipos de arritimias cardíacas.

Por Drª. Luciana Alves PhD – Fundadora e Líder de PACEMAKERusers – Portadora de marca-passo cardíaco

Referência: Fenelon G., Nishioka S.A.D., Lorga Filho A, Teno L.A.C., Pachon E.I., Adura F.E. e cols. Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Brasileira de Medicina de Trafego. Recomendações Brasileiras para direção veicular em portadores de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis (DCEI) e arritmias cardíacas. Sociedade Brasileira de Cardiologia • ISSN-0066-782X • Volume 99, Nº 4, Outubro 2012

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